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Transmissão terá R$ 8,9 bilhões em novos investimentos

há 1 dia
9 min de leitura

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou o edital definitivo do Leilão de Transmissão nº 4/2026, marcado para 30 de outubro, consolidando uma nova rodada de investimentos para ampliar e reforçar a infraestrutura do Sistema Interligado Nacional.


O certame contará com oito lotes distribuídos por sete estados e prevê aproximadamente R$ 8,9 bilhões em investimentos.


Os projetos incluem 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos, além da continuidade de outros 483 quilômetros de instalações existentes. Também estão previstos 12.694 MVA de nova capacidade de transformação, continuidade de 600 MVA já existentes e a instalação de quatro compensações síncronas.


As obras estarão localizadas na Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo e terão prazos de implantação entre 42 e 60 meses, contados a partir da assinatura dos contratos de concessão. A Aneel estima que os investimentos possam gerar aproximadamente 20,3 mil empregos diretos.


Mais do que ampliar fisicamente a rede, o leilão ocorre em um momento em que a transmissão se tornou uma das variáveis centrais para a continuidade da expansão do setor elétrico brasileiro.


O crescimento das fontes renováveis, os novos pedidos de acesso, o avanço de grandes cargas e o aumento das restrições operativas tornam cada nova linha e subestação cada vez mais estratégica.


Edital definitivo reduz leilão para oito lotes


Uma das principais mudanças entre a proposta inicial e o edital definitivo foi a retirada do antigo Lote 9, que previa instalações relacionadas à Jaçanã Transmissora, na Bahia.


Na versão colocada anteriormente em discussão, o certame possuía nove lotes.


O edital aprovado em setembro passou a contar com oito, após análise regulatória e avaliação do Tribunal de Contas da União.


Essa mudança é importante porque evita trabalhar com os quantitativos inicialmente divulgados durante a fase de consulta pública.


A versão final é a que deverá orientar investidores na disputa de outubro.


O edital também recebeu 258 contribuições de 33 participantes durante a Consulta Pública nº 006/2026. Dessas, 94 foram integralmente aproveitadas pela agência.


Rede ganhará quase 1,9 mil quilômetros de novas instalações


O volume de infraestrutura envolvido no certame é significativo.


Serão aproximadamente 1.866 quilômetros de novas linhas e seccionamentos, além da continuidade de 483 quilômetros de linhas pertencentes a concessões existentes.


Esse tipo de expansão possui impacto direto sobre a capacidade do SIN de transferir energia entre diferentes regiões.


Novos corredores podem reduzir limitações locais, melhorar a confiabilidade e permitir que projetos de geração utilizem de maneira mais eficiente a infraestrutura disponível.


Em um sistema cada vez mais dependente de grandes transferências entre áreas com elevada geração e centros de consumo, essa capacidade ganha valor estratégico.


Transformação supera 12 mil MVA


Outro ponto importante do leilão está nas subestações.


A nova infraestrutura adicionará aproximadamente 12.694 MVA de capacidade de transformação, além da continuidade de 600 MVA associados às instalações existentes.


A capacidade de transformação é um componente fundamental da rede.


Não basta construir linhas para transportar energia.


Os fluxos precisam chegar a subestações capazes de transformar níveis de tensão e distribuí-los adequadamente para outras partes do sistema.


Quando um transformador ou uma subestação chega próximo de seu limite, novos projetos de geração ou consumo podem encontrar dificuldades para conexão mesmo que existam linhas próximas.


Por isso, acompanhar a expansão de subestações é tão importante quanto acompanhar novos quilômetros de transmissão.


Na ePowerBay, a pesquisa Subestações da Rede Básica permite analisar justamente os principais pontos da infraestrutura e sua relação com os empreendimentos conectados ao SIN.


Captura de Tela da Ferramenta de Pesquisa de Subestações da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Ferramenta de Pesquisa de Subestações da Plataforma ePowerBay

Lote 4 concentra maior volume de investimentos


O maior conjunto de investimentos do leilão está no Lote 4, estimado em aproximadamente R$ 4,1 bilhões.


O projeto envolve instalações nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná e prevê um sistema de 500 kV envolvendo regiões como Rio Brilhante, Sarandi, Rio Verde Norte e Chapadão.


O lote será dividido em dois sublotes, 4A e 4B, que serão apregoados separadamente.


Posteriormente, os resultados serão combinados para buscar a alternativa economicamente mais eficiente para o conjunto das instalações.


Essa estrutura amplia as possibilidades de competição.


Empresas podem disputar os sublotes individualmente, enquanto o desenho do leilão procura obter o menor custo possível para o sistema.


Bahia terá ativos existentes e novas instalações


O Lote 1 está associado às instalações atualmente vinculadas à Afluente Transmissão de Energia e a novas obras destinadas ao atendimento das regiões Sul e Centro-Sul da Bahia.


A presença de ativos existentes torna o lote diferente de projetos inteiramente novos.


Além da expansão, existe uma preocupação com a continuidade de instalações importantes para o funcionamento da rede.


O Lote 2, por sua vez, prevê a linha Rio das Éguas – Iaciara 2 e a Subestação Iaciara 2, envolvendo Bahia e Goiás.


Esses investimentos ajudam a reforçar uma área importante para o intercâmbio entre o Nordeste e o centro do país.


São Paulo receberá reforços em alta tensão


O Lote 3 está localizado em São Paulo e contempla a Subestação Santana, além de seccionamentos em 500 kV e 345 kV.


São Paulo continua sendo o principal centro de carga do sistema brasileiro.


Além do consumo industrial e urbano já consolidado, o estado vem concentrando uma parcela importante dos pedidos de conexão de novas cargas de grande porte.


Isso aumenta a necessidade de reforçar subestações e corredores que alimentam a região.


Com o avanço de data centers e outros consumidores eletrointensivos, esse tipo de infraestrutura tende a ganhar ainda mais importância.


Paraná concentra três frentes de expansão


O Paraná aparece em diferentes lotes do certame.


Além de participar do grande Lote 4, o estado possui o Lote 5, relacionado ao sistema


Curitiba Oeste, Barigui 2 e Uberaba, e o Lote 6, que contempla a Subestação Iguaçu e seccionamentos em 525 kV e 230 kV.


A presença em vários lotes mostra a importância da região para os fluxos de energia entre Sul e Sudeste/Centro-Oeste.


Reforços nesse corredor podem aumentar a capacidade de intercâmbio e melhorar a confiabilidade em diferentes condições operativas.


Paraíba terá reforços no sistema Coremas–Cajazeiras


O Lote 7 prevê o sistema envolvendo Coremas II e Cajazeiras II, na Paraíba, com prazo de implantação de 42 meses.


A expansão da infraestrutura no Nordeste permanece particularmente relevante diante da elevada concentração de geração solar e eólica.


A região possui uma capacidade instalada renovável que cresceu rapidamente ao longo dos últimos anos.


Em determinados períodos, essa geração supera a necessidade local de consumo e precisa ser transferida para outros subsistemas.


Quando a capacidade de transmissão não acompanha esse crescimento, surgem limitações de escoamento.


Transmissão continua relevante para enfrentar o curtailment


O crescimento das restrições de geração solar e eólica tornou ainda mais evidente a importância da transmissão.


Nem todo curtailment é causado por gargalos da rede.


Em 2026, os cortes relacionados ao excesso de oferta passaram a representar uma parcela cada vez mais relevante do problema.


Ainda assim, as limitações físicas permanecem importantes em determinadas regiões.


Quando existe consumo suficiente em outro subsistema, mas a infraestrutura não permite transportar toda a geração disponível, ampliar a transmissão pode reduzir diretamente as restrições.


É por isso que novos corredores continuam sendo uma peça fundamental da expansão renovável.


Na ePowerBay, o Mapa Interativo permite relacionar linhas, subestações e projetos de geração, oferecendo uma visão territorial dos pontos em que a infraestrutura pode influenciar a capacidade de escoamento.


Captura de Tela do Mapa Interativo da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Mapa Interativo da Plataforma ePowerBay

Novas linhas também ampliam espaço para geração futura


O impacto de uma obra de transmissão não se limita aos ativos que já estão em operação.


Novos corredores podem abrir espaço para futuros projetos.


Essa relação é especialmente importante para desenvolvedores solares e eólicos.


Uma região com excelente recurso energético pode possuir baixo potencial econômico se não houver conexão disponível.


Quando novas linhas e subestações entram em operação, projetos anteriormente limitados podem ganhar novas condições de desenvolvimento.


Por isso, acompanhar leilões de transmissão é também acompanhar onde poderão surgir novos polos de geração no futuro.


Acesso à rede entra na análise


A expansão da infraestrutura ganha ainda mais importância com a nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão.


As Temporadas de Acesso passaram a organizar pedidos de conexão e revelar onde existe maior disputa por capacidade.


A primeira temporada de 2026 já mostrou que vários barramentos possuem procura superior à margem existente.


Em alguns pontos, projetos precisarão disputar capacidade.


Em outros, existe possibilidade de atendimento direto.


Novas obras de transmissão podem alterar completamente esse cenário nos próximos anos.


Na ePowerBay, a Fila de Acesso à Rede (ONS) permite acompanhar os pedidos e entender onde estão concentradas as principais pressões por conexão.


Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay

Leilões indicam onde a rede vai crescer


Para agentes do setor, o valor de acompanhar um leilão de transmissão vai além de saber quais empresas vencerão cada lote.


O certame mostra antecipadamente onde bilhões de reais serão investidos.

Isso permite identificar regiões que receberão novas linhas, subestações e capacidade de transformação.


Para geradores, essas informações ajudam a avaliar futuras condições de conexão.


Para grandes consumidores, podem indicar regiões com infraestrutura mais robusta.


Para fornecedores, revelam oportunidades associadas à construção dos empreendimentos.


E para investidores em transmissão, permitem comparar os riscos e características de cada concessão.


Pré-Análise ajuda a avaliar os lotes antes da disputa


Na ePowerBay, a Pré-Análise de Leilões de Transmissão é uma das soluções mais diretamente relacionadas ao certame de outubro.


Captura de Tela da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Plataforma ePowerBay

A publicação permite organizar previamente as principais características dos empreendimentos antes da realização do leilão.


Essa leitura ajuda investidores e empresas da cadeia a compreender melhor os ativos, regiões envolvidas, extensão das obras e estrutura do certame.


Depois da disputa, os Resultados de Leilões de Transmissão permitem acompanhar vencedores e condições finais de cada lote.


Esse acompanhamento transforma o leilão de um evento pontual em uma base de análise estratégica.


Mapa Interativo complementa análise territorial


A avaliação de um lote de transmissão é inevitavelmente geográfica.

Extensão das linhas, subestações envolvidas, geração próxima, grandes consumidores e conexão com outros corredores influenciam o valor de cada projeto.


O Mapa Interativo da ePowerBay permite analisar essas relações espacialmente.


Isso ajuda a compreender, por exemplo, por que determinados ativos em Goiás, Paraná ou

Mato Grosso do Sul possuem importância para fluxos regionais.


Também torna possível relacionar a expansão prevista com projetos de geração e infraestrutura existente.


Subestações da Rede Básica ganham destaque


A pesquisa Subestações da Rede Básica complementa essa análise ao permitir uma leitura mais focada dos principais nós da transmissão.


Neste leilão, diversas obras estão diretamente relacionadas à implantação ou ampliação de subestações.


São esses ativos que determinam, em grande medida, como a energia entra, sai e é redirecionada dentro do sistema.


Com o crescimento de novas cargas e geração, acompanhar a capacidade e evolução dessas instalações passa a ser fundamental.


Compensações síncronas reforçam estabilidade


O edital também prevê quatro compensações síncronas.


Esses equipamentos possuem importância crescente em um sistema com elevada participação de fontes conectadas por inversores, como solar e eólica.


Compensadores síncronos podem fornecer suporte de tensão, potência reativa e características importantes para a estabilidade elétrica.


À medida que a matriz muda, a expansão da transmissão deixa de envolver apenas aumento de capacidade física.


Também passa a incorporar equipamentos capazes de manter a qualidade e a estabilidade do SIN.


Prazos variam entre 42 e 60 meses


Os empreendimentos terão prazos de implantação entre 42 e 60 meses.


Esse horizonte mostra uma das principais características da transmissão: obras de grande porte exigem planejamento antecipado.


Enquanto alguns projetos de geração ou grandes cargas podem avançar relativamente rápido, uma linha de transmissão atravessa uma sequência mais longa de estudos, licenciamento, aquisição de terrenos, construção e comissionamento.


Isso cria um desafio de sincronização.


Se geração e consumo avançarem mais rapidamente do que a rede, surgem gargalos.


Por isso, os leilões precisam antecipar demandas que só estarão plenamente materializadas anos depois.


R$ 8,9 bilhões movimentam cadeia de fornecedores


O investimento previsto também representa uma oportunidade relevante para a cadeia produtiva.


Linhas de transmissão demandam torres, estruturas, cabos, isoladores, fundações e equipamentos de proteção.


Subestações exigem transformadores, disjuntores, sistemas de controle, automação e comunicação.


Além disso, há demanda por engenharia, construção, logística, licenciamento e serviços especializados.


Com aproximadamente R$ 8,9 bilhões de investimentos, o leilão deverá movimentar uma ampla cadeia de fornecedores e prestadores de serviços.


A Aneel estima 20.312 empregos diretos associados à implantação dos empreendimentos.


Competição pela RAP define vencedores


Como ocorre nos leilões de transmissão, a disputa será baseada na Receita Anual Permitida, a RAP.


Os proponentes apresentam o valor de receita que consideram necessário para construir, operar e manter as instalações ao longo do período de concessão.


Quanto maior o deságio sobre a RAP máxima definida no edital, menor será a receita recebida pela transmissora vencedora.


Esse desenho busca estimular competição e reduzir o custo final da infraestrutura para o sistema.


Ao mesmo tempo, empresas precisam equilibrar agressividade nos lances com capacidade de entregar projetos complexos dentro dos prazos regulatórios.


Perspectivas para o setor


A aprovação do edital definitivo coloca o Leilão de Transmissão nº 4/2026 na reta final para a disputa de 30 de outubro.


O certame reunirá oito lotes em Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo, com cerca de R$ 8,9 bilhões em investimentos, 1.866 quilômetros de novas linhas e seccionamentos e 12.694 MVA de nova capacidade de transformação.


O maior projeto é o Lote 4, estimado em aproximadamente R$ 4,1 bilhões e relacionado a novas instalações em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.


Para acompanhar essa expansão na ePowerBay, as soluções mais aderentes são a Pré-Análise de Leilões de Transmissão, a pesquisa Subestações da Rede Básica, o Mapa Interativo e, para compreender como novas obras poderão alterar a disponibilidade futura de conexão, a Fila de Acesso à Rede (ONS).


Após o certame, os Resultados de Leilões de Transmissão permitirão acompanhar vencedores e condições finais de contratação.


O leilão de outubro reforça uma tendência que se tornou central para o setor elétrico brasileiro: a expansão da geração e das novas cargas só poderá continuar de forma sustentável se a infraestrutura de transmissão avançar em ritmo compatível.


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