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LRCAP abre novo ciclo para baterias no Brasil

há 1 dia
10 min de leitura

Os primeiros Leilões de Reserva de Capacidade voltados ao armazenamento em baterias, previstos para dezembro de 2026, devem representar apenas o início de uma agenda mais ampla de contratação dessa tecnologia no setor elétrico brasileiro.


O Ministério de Minas e Energia sinalizou que os certames de dezembro deverão ser seguidos por novas rodadas, com aperfeiçoamentos progressivos nas regras à medida que o mercado e a operação do Sistema Interligado Nacional acumularem experiência com os sistemas de armazenamento.


A indicação foi apresentada durante o Encontro do Armazenamento 2030, realizado pela Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia.


A secretária nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, Mariana Espécie, destacou que requisitos de potência e flexibilidade deverão assumir importância crescente para garantir a segurança do suprimento em um sistema com participação cada vez maior de fontes renováveis variáveis.


O movimento reforça uma mudança importante na política energética brasileira.

Em vez de tratar o primeiro leilão de baterias como uma contratação isolada, o governo começa a sinalizar a construção de um mercado recorrente para armazenamento.


Dezembro marca entrada definitiva das baterias


O primeiro passo dessa nova etapa ocorrerá em 2 e 4 de dezembro de 2026.


O MME estruturou dois certames distintos.


O primeiro, denominado LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional, será realizado em 2 de dezembro e dará prioridade a sistemas que atendam aos requisitos estabelecidos para produção nacional.


O segundo, LRCAP de 2026 – Armazenamento, será realizado em 4 de dezembro e estará aberto aos demais projetos de sistemas de armazenamento em baterias.


As diretrizes foram estabelecidas pela Portaria Normativa MME nº 136/2026.


Os sistemas contratados deverão disponibilizar potência ao SIN, permitindo que o ONS determine os momentos de recarga e descarga conforme as necessidades da operação.


A lógica é diferente de simplesmente contratar mais energia.


O objetivo principal é contratar flexibilidade e capacidade de resposta.


Primeiro leilão recebeu quase 297 GW em projetos


O interesse dos agentes superou qualquer expectativa inicial.


A EPE recebeu 6.091 projetos cadastrados, que somam 296.807 MW de potência.


O volume estabeleceu um recorde de participação em certames do setor elétrico brasileiro.


Naturalmente, apenas uma pequena parcela dessa potência será contratada.


Ainda assim, o número mostra que já existe um pipeline extremamente amplo de projetos interessados em disputar espaço nesse novo mercado.


Também indica que fabricantes, desenvolvedores, investidores e fornecedores já enxergam o armazenamento como uma nova classe de ativo dentro do setor elétrico.


Quase 300 GW cadastrados não significam 300 GW de baterias


É importante interpretar corretamente esse número.


Os 296,8 GW representam potência cadastrada para participar dos leilões, não capacidade que será construída.


Os empreendimentos ainda precisam cumprir as etapas de habilitação e atender aos requisitos técnicos, locacionais e econômicos definidos para os certames.


Além disso, o MME definirá o volume efetivamente contratado a partir dos estudos da EPE e do ONS sobre as necessidades de potência do sistema.


Portanto, o cadastramento demonstra interesse do mercado, mas não representa uma previsão de expansão física nessa escala.


Mesmo assim, a enorme diferença entre oferta potencial e demanda contratada deve criar forte competição.


PDE 2035 projeta cerca de 7 GW de baterias


A perspectiva de continuidade dos leilões possui respaldo no planejamento de longo prazo.

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 considera aproximadamente 7 GW de sistemas de armazenamento por baterias na matriz elétrica brasileira ao final do horizonte de planejamento.


Nesse cenário, as baterias representariam aproximadamente 2% da capacidade instalada nacional em 2035.


O dado é especialmente importante porque indica que a necessidade de armazenamento não se encerra com a contratação de dezembro.


Se o planejamento aponta para vários gigawatts de expansão ao longo da próxima década, novas rodadas de contratação ou outros mecanismos de mercado serão necessários.


Continuidade cria sinal para investidores


Para o mercado, talvez a principal mensagem da sinalização do MME seja a perspectiva de continuidade.


Projetos de baterias exigem investimentos relevantes.


Fabricantes também precisam decidir se vale a pena instalar linhas de produção, desenvolver fornecedores locais, formar equipes técnicas e manter estoques no Brasil.


Um único leilão oferece uma oportunidade.


Uma sequência de leilões cria um mercado.


Essa diferença é fundamental.


Quando existe previsibilidade de contratação, empresas conseguem estruturar planos de investimento de longo prazo e reduzir a percepção de risco.


Isso pode estimular competição e, ao longo do tempo, reduzir custos.


Regras dos próximos leilões deverão evoluir


O MME também deixou claro que o desenho atual não deve ser tratado como definitivo.


As regras utilizadas nos primeiros certames serão avaliadas e poderão passar por aprimoramentos nas rodadas seguintes.


Esse processo é natural para uma tecnologia que está entrando agora em escala no sistema brasileiro.


O governo, a Aneel, a EPE, o ONS e os agentes ainda acumularão experiência sobre temas como disponibilidade, degradação, despacho, eficiência, localização e prestação de serviços ao sistema.


Os resultados do primeiro leilão também fornecerão informações importantes sobre preços e apetite dos investidores.


Cada nova contratação poderá incorporar essas lições.


Bonificação locacional já mostra evolução do desenho


Um dos elementos novos adotados no LRCAP é o sinal locacional.


A EPE desenvolveu uma metodologia para identificar barramentos em que a instalação de baterias pode gerar benefícios adicionais ao sistema.


A análise considera indicadores de robustez elétrica, incluindo o Multi-Infeed Short Circuit Ratio, e procura identificar pontos em que sistemas com tecnologia grid-forming podem contribuir de maneira mais significativa para estabilidade e segurança.


Isso significa que nem todo megawatt de armazenamento possui o mesmo valor para o SIN.


Uma bateria instalada em um ponto eletricamente frágil pode oferecer benefícios maiores do que um sistema idêntico localizado em uma região mais robusta.


Grid-forming coloca baterias além da arbitragem de energia


Os primeiros certames também incorporam requisitos técnicos que mostram como o papel das baterias está mudando.


O armazenamento não será utilizado apenas para carregar quando existe excesso de energia e descarregar posteriormente.


Os sistemas também deverão contribuir para a estabilidade elétrica.


Tecnologias grid-forming permitem que inversores ajudem a estabelecer referências de tensão e frequência, oferecendo características importantes em redes com elevada participação de fontes conectadas por eletrônica de potência.


Esse tipo de capacidade tende a ganhar valor conforme cresce a participação solar e eólica no SIN.


Crescimento renovável aumenta necessidade de flexibilidade


A expansão do armazenamento está diretamente relacionada à transformação da matriz brasileira.


O país possui uma participação crescente de geração solar e eólica.


Essas fontes oferecem energia de baixo custo e baixo carbono, mas possuem produção variável.


O sistema precisa lidar com períodos de grande disponibilidade e momentos em que a geração diminui rapidamente.


A expansão da solar torna essa dinâmica particularmente evidente.


Durante o dia, existe uma quantidade crescente de energia disponível.


No final da tarde, a produção fotovoltaica cai enquanto a carga pode continuar elevada.

Baterias permitem deslocar parte dessa energia entre horários.


Curtailment reforça necessidade de armazenamento


O crescimento dos cortes de geração renovável adiciona outra dimensão ao debate.


Em 2026, o curtailment solar e eólico voltou a crescer, com avanço importante das restrições classificadas por razões energéticas.


Nesses casos, o problema não está necessariamente em uma linha congestionada.


Existe simplesmente mais geração disponível do que demanda capaz de absorvê-la naquele momento.


Baterias podem capturar parte desse excedente.


Elas não eliminam o curtailment, especialmente quando existem limitações estruturais de transmissão, mas aumentam a flexibilidade disponível.


Na ePowerBay, a Análise de Curtailment permite acompanhar justamente onde e como as restrições estão ocorrendo.


Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay

LRCAP passa a ser parte do planejamento do SIN


A sinalização de novos leilões também mostra que o armazenamento deixa de ser tratado como uma solução experimental.


Ele começa a entrar efetivamente na expansão planejada do sistema.


O PDE 2035 já incorpora baterias como uma das tecnologias capazes de contribuir para os requisitos de potência.


A EPE também utiliza armazenamento em seus modelos de expansão e publica estudos específicos sobre seus custos e benefícios.


Isso muda a posição do BESS dentro do setor.

A tecnologia passa de alternativa potencial para componente previsto na matriz futura.


Contratos de 15 anos ajudam bancabilidade


Outro avanço importante no desenho atual está no prazo contratual.


A Portaria Normativa nº 136 estabelece contratos de 15 anos para os projetos vencedores.


O início do suprimento está previsto para 1º de agosto de 2028.


Um contrato longo oferece maior previsibilidade de receita.


Isso é particularmente importante para projetos de armazenamento, que possuem

investimento inicial elevado.


Quanto maior a previsibilidade do fluxo de caixa, melhores tendem a ser as condições para estruturar financiamento.


Quatro horas serão referência de disponibilidade


Os projetos contratados deverão disponibilizar potência máxima durante quatro horas por ciclo completo.


A regulamentação permite até dois ciclos completos por dia, respeitado o limite anual estabelecido nas diretrizes.


Esse desenho procura atender principalmente às necessidades de potência do sistema.


Uma bateria de quatro horas pode, por exemplo, armazenar energia durante períodos de oferta elevada e entregá-la durante a ponta.


Mas futuras rodadas poderão avaliar necessidades diferentes.


Dependendo da evolução da matriz, sistemas com outras durações podem ganhar relevância.


Próximos leilões podem testar novos produtos


Se a política de contratação ganhar recorrência, o mercado poderá evoluir para produtos mais específicos.


Hoje, o foco está na disponibilidade de potência.


No futuro, o sistema poderá atribuir maior valor a diferentes atributos.


Tempo de resposta, duração do armazenamento, suporte de tensão, formação de rede, localização e capacidade de prestação de serviços ancilares podem assumir maior peso.


Essa evolução dependerá das necessidades identificadas pelo planejamento e da experiência adquirida nos primeiros projetos.


Por isso, o primeiro LRCAP funciona também como uma espécie de laboratório regulatório.


Armazenamento não ficará restrito às baterias


Outro ponto importante é que o conceito de armazenamento no sistema brasileiro é mais amplo do que BESS.


O Brasil também discute o desenvolvimento de usinas hidrelétricas reversíveis, tecnologia capaz de armazenar energia bombeando água para um reservatório superior e gerando posteriormente.


MME, EPE, geradores e entidades setoriais já vêm debatendo como incorporar essas usinas ao planejamento.


Isso significa que a agenda de flexibilidade poderá combinar diferentes tecnologias.


Baterias possuem resposta extremamente rápida.


Usinas reversíveis podem oferecer armazenamento de maior duração.


Hidrelétricas convencionais, termelétricas flexíveis e resposta da demanda também participam dessa equação.


Transmissão abre outra frente para BESS


As baterias também começam a aparecer fora do LRCAP.


O Leilão de Transmissão nº 01/2027 possui uma proposta para contratação de um sistema BESS de 100 MW e 200 MWh em Cruzeiro do Sul, no Acre.


Nesse caso, o armazenamento não será contratado como reserva de capacidade.


Ele fará parte da própria solução de transmissão para aumentar a confiabilidade do atendimento regional.


Essa diferença mostra como a tecnologia pode atuar em diversos segmentos.

O mercado brasileiro de armazenamento não deverá depender exclusivamente dos LRCAPs.


Conteúdo nacional também faz parte da estratégia


A realização de dois leilões em dezembro possui ainda uma dimensão industrial.


O LRCAP de Armazenamento Nacional dará prioridade a projetos enquadrados nos critérios de nacionalização definidos para o certame.


O BNDES já mantém uma relação de fornecedores credenciados para equipamentos e componentes relacionados ao leilão.


A estratégia busca utilizar a formação do mercado brasileiro para estimular produção local.


Uma agenda recorrente de leilões pode tornar essa política mais relevante.


Fabricantes terão maior incentivo para desenvolver fornecedores e capacidade produtiva no país se houver demanda previsível.


Previsibilidade pode ser tão importante quanto volume


Para fornecedores, um dos maiores desafios é dimensionar investimentos industriais.


Uma fábrica dificilmente é construída para atender a apenas um certame.


Ela precisa enxergar demanda futura.


Por isso, a sinalização de que dezembro será seguido por novas rodadas pode ter impacto econômico antes mesmo da realização do primeiro leilão.


A previsibilidade reduz o risco de investir em estrutura produtiva que posteriormente fique sem mercado.


Isso pode influenciar decisões sobre montagem, integração, BMS, inversores e até produção de células no longo prazo.


Mercado de quase 300 GW mostra competição potencial


Os 296,8 GW cadastrados também criam uma condição peculiar.


A oferta potencial é muito superior ao volume que provavelmente será necessário no primeiro momento.


Isso significa que haverá forte necessidade de seleção.


Localização, preço, conteúdo nacional e cumprimento dos requisitos técnicos podem diferenciar os projetos.


Nem todos os empreendimentos cadastrados chegarão à disputa final.


E apenas uma pequena parcela deverá ser contratada.


Na prática, o primeiro certame começará a separar o enorme pipeline brasileiro entre projetos efetivamente competitivos e iniciativas ainda em estágio preliminar.


Mapa de TUSTg/c e Margem ajuda na análise locacional


Para projetos BESS, localização é uma variável central.


O Mapa de TUSTg/c e Margem (BESS) da ePowerBay permite analisar condições relacionadas à rede e à inserção dos sistemas de armazenamento.


Captura de Tela do Mapa de TUSTg/c e Margem da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Mapa de TUSTg/c e Margem da Plataforma ePowerBay

Em um leilão que incorpora sinais locacionais, essa leitura ganha ainda mais importância.


Projetos instalados em pontos diferentes podem enfrentar condições distintas de conexão, uso da rede e valor sistêmico.


Por isso, uma análise puramente baseada em CAPEX não é suficiente.


Dashboard LRCAP acompanha evolução dos certames


O Dashboard Leilão de Reserva de Capacidade — LRCAP 2026 é a solução da ePowerBay mais diretamente relacionada à pauta.


Captura de Tela do Dashboard Leilão de Reserva de Capacidade da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Dashboard Leilão de Reserva de Capacidade da Plataforma ePowerBay

A ferramenta permite acompanhar informações sobre os projetos e o processo de contratação.


Com a perspectiva de que novos certames sejam realizados no futuro, esse tipo de acompanhamento tende a ganhar ainda mais importância.


A análise deixa de ser apenas sobre um evento de dezembro.


Ela passa a envolver a formação de um mercado recorrente de capacidade e armazenamento.


Fila de Acesso também entra na equação


Outro ponto crítico para projetos de armazenamento é a conexão.


Mesmo com um excelente projeto econômico, o empreendimento precisa encontrar condições viáveis de acesso ao sistema.


A Fila de Acesso à Rede (ONS) permite acompanhar a pressão por conexão e entender onde geração, armazenamento e grandes cargas disputam infraestrutura.


Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay

Com milhares de projetos BESS cadastrados, o acesso pode se tornar um dos principais filtros de desenvolvimento.


Próximos certames dependerão das necessidades do sistema


A sinalização do MME não significa que já exista um calendário oficial detalhado para todos os futuros leilões de armazenamento.


Os próximos volumes, datas e produtos ainda dependerão dos estudos de planejamento e das necessidades de potência e flexibilidade identificadas no SIN.


O próprio modelo atual determina que o montante contratado seja definido pelo MME a partir de estudos da EPE e do ONS.


Portanto, a mensagem de continuidade deve ser entendida como uma direção de política energética, e não como confirmação de um cronograma específico já fechado.


Perspectivas para o setor


O LRCAP de dezembro tende a inaugurar uma nova etapa para o armazenamento no Brasil.


Os dois certames dos dias 2 e 4 de dezembro representam a primeira contratação em larga escala de baterias como recurso de potência para o SIN.


O mercado respondeu com 6.091 projetos e 296.807 MW cadastrados, enquanto o PDE 2035 já projeta aproximadamente 7 GW de baterias incorporadas à matriz ao longo da próxima década.


A sinalização do MME de que novas rodadas deverão ocorrer cria uma perspectiva diferente para investidores.


O armazenamento deixa de depender de um único certame e começa a ganhar uma trajetória de expansão mais previsível.


As regras ainda deverão evoluir.


Os primeiros projetos fornecerão experiência sobre operação, preços, degradação, localização e serviços oferecidos pelas baterias.


Para acompanhar esse mercado na ePowerBay, as soluções mais aderentes são o Dashboard Leilão de Reserva de Capacidade — LRCAP 2026, o Mapa de TUSTg/c e Margem (BESS), a Fila de Acesso à Rede (ONS) e, diante da relação crescente entre armazenamento e excedentes renováveis, a Análise de Curtailment.


O primeiro LRCAP será importante pelo volume contratado.


Mas seu maior impacto pode estar no que vem depois: a criação de um mercado recorrente capaz de transformar o armazenamento em um componente permanente do planejamento e da operação do setor elétrico brasileiro.


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