POTEE atualiza prioridades da transmissão
O Ministério de Minas e Energia aprovou a 7ª emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica de 2025, atualizando o conjunto de ampliações e reforços considerados necessários para a evolução da Rede Básica e das demais instalações de transmissão do Sistema Interligado Nacional.
A aprovação foi formalizada pela Portaria SNTEP/MME nº 3.200, de 15 de setembro de 2026, e representa mais uma atualização de um instrumento essencial para transformar estudos técnicos de planejamento em obras efetivamente incorporadas à infraestrutura elétrica brasileira.
A nova emissão do POTEE foi disponibilizada pelo MME em setembro, dando continuidade às atualizações realizadas ao longo de 2025 e 2026.
O plano reúne recomendações relacionadas à ampliação da capacidade de transmissão, reforço de subestações, aumento da confiabilidade, eliminação de restrições operativas e preparação da rede para novas cargas e projetos de geração.
Em um momento de forte crescimento das fontes renováveis, aumento dos pedidos de conexão e chegada de grandes consumidores ao SIN, esse processo ganha ainda mais importância.
POTEE transforma estudos em obras de transmissão
O Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica funciona como uma das pontes entre o planejamento técnico e a implantação efetiva da rede.
ONS e EPE desenvolvem estudos sobre as necessidades futuras do sistema.
Essas análises consideram fatores como crescimento da carga, expansão da geração, condições de estabilidade, limites de intercâmbio entre regiões e necessidade de reforço de diferentes áreas geoelétricas.
A partir dessas recomendações, o MME consolida no POTEE as obras que devem seguir para os processos de autorização ou licitação.
É justamente esse encadeamento que permite transformar uma necessidade identificada no sistema em uma nova linha, subestação, transformador ou equipamento de controle.
Planejamento precisa acompanhar uma matriz mais complexa
A expansão da transmissão brasileira tornou-se mais complexa ao longo dos últimos anos.
Grande parte da nova capacidade de geração está concentrada nas fontes solar e eólica.
Ao mesmo tempo, essas usinas estão frequentemente localizadas longe dos principais centros consumidores.
Isso exige uma malha capaz de transportar grandes volumes de energia entre diferentes regiões.
O Nordeste é um dos exemplos mais claros.
A região concentra enorme capacidade renovável e depende de grandes interligações para exportar parte da produção para Sudeste e Centro-Oeste.
Quando a infraestrutura não acompanha o crescimento da geração, surgem gargalos de escoamento.
O POTEE é uma das principais ferramentas utilizadas para organizar justamente essa expansão.
PAR/PEL indica R$ 28,1 bilhões em obras
O ciclo mais recente do Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo do ONS ajuda a dimensionar a necessidade de investimentos.
O PAR/PEL 2025, referente ao horizonte de 2026 a 2030, recomenda aproximadamente 5.301 quilômetros de novas linhas de transmissão e 24.314 MVA em novos transformadores em subestações novas e existentes.
Os investimentos associados às obras recomendadas são estimados em aproximadamente R$ 28,1 bilhões, dos quais cerca de R$ 22,7 bilhões correspondem a empreendimentos propostos pela primeira vez no ciclo.
Esses números mostram por que as atualizações do POTEE precisam ser recorrentes.
A rede não é uma infraestrutura estática.
Novos projetos, alterações de cronograma, mudanças de carga e restrições operativas exigem revisão contínua das prioridades.
Interligações regionais continuam entre as prioridades
Um dos principais objetivos do planejamento é ampliar a capacidade de intercâmbio entre os subsistemas.
O PAR/PEL prevê reforços importantes nas interligações Norte, Nordeste, Sudeste/Centro-Oeste e Sul.
Entre os destaques está o Bipolo de Graça Aranha, com capacidade de 5.000 MW e tensão de ±800 kV, ligando Maranhão e Goiás.
O horizonte analisado pelo ONS também considera reforços adicionais entre Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste e entre Nordeste e Norte.
Essas obras aumentam a capacidade do SIN de aproveitar diferenças regionais de geração e consumo.
Se existe elevada produção eólica no Nordeste, por exemplo, uma interligação mais robusta permite enviar maior quantidade dessa energia para outras regiões.
Transmissão permanece essencial para reduzir curtailment
O crescimento dos cortes de geração renovável também reforça a necessidade de expansão da rede.
Parte do curtailment observado atualmente está associada ao excesso sistêmico de oferta, mas restrições de transmissão continuam sendo uma das causas importantes do problema.
Quando uma usina está localizada em uma região onde o corredor de escoamento já opera próximo ao limite, parte de sua produção pode precisar ser restringida.
A solução estrutural passa pela ampliação da capacidade da rede.
Novas linhas, transformadores e subestações aumentam a quantidade de energia que pode circular pelo sistema.
Por isso, a evolução do POTEE está diretamente relacionada à capacidade do Brasil de continuar expandindo sua geração renovável sem aumentar na mesma proporção os gargalos de escoamento.
Nordeste segue no centro dos reforços
O planejamento do ONS identifica diferentes desafios no Nordeste.
Na Paraíba, por exemplo, o PAR/PEL aponta a necessidade de restringir geração renovável em determinadas situações para reduzir riscos de colapso de tensão na região de Santa Luzia.
A entrada da LT 500 kV Bom Nome II – Santa Luzia II, já licitada no Leilão de Transmissão nº 04/2025, deve ajudar a mitigar parte desse problema até 2030.
Em Pernambuco, o planejamento também identifica necessidade de expansão da capacidade de transformação em subestações como Mirueira, Jaboatão II e Tacaimbó.
Esses casos mostram que os gargalos não se resumem apenas à falta de grandes corredores.
Muitas vezes, a limitação aparece dentro das próprias subestações.
Subestações ganham papel cada vez mais estratégico
Uma rede de transmissão não depende apenas das linhas.
As subestações são responsáveis pela transformação de tensão, conexão de diferentes circuitos e controle dos fluxos do sistema.
Quando um transformador chega próximo ao limite, toda uma região pode encontrar dificuldade para receber novas cargas ou escoar geração adicional.
Por isso, grande parte das recomendações do planejamento envolve substituição, instalação ou ampliação de transformadores.
Na ePowerBay, a pesquisa Subestações da Rede Básica é especialmente aderente a esse tipo de análise.

Ela permite acompanhar pontos relevantes da rede e observar como as subestações se relacionam com geração, linhas e futuros projetos.
Mapa Interativo ajuda a visualizar os gargalos
O planejamento da transmissão é essencialmente geográfico.
Uma mesma quantidade de geração pode produzir impactos muito diferentes dependendo do local onde está conectada.
Da mesma forma, uma nova carga de grande porte pode exigir investimentos completamente diferentes conforme a subestação ou corredor utilizado.
O Mapa Interativo da ePowerBay permite visualizar usinas, subestações, linhas e outros ativos em conjunto.
Essa leitura territorial ajuda a compreender por que determinados reforços são priorizados no POTEE.
Também permite identificar regiões onde existe elevada concentração de projetos e infraestrutura ainda limitada.
Crescimento das grandes cargas muda planejamento
Nos últimos anos, o setor passou a enfrentar também uma nova fonte de pressão: grandes consumidores.
Data centers, projetos de hidrogênio, mineração e novas instalações industriais podem demandar centenas de megawatts.
Esse tipo de carga é muito diferente do crescimento orgânico tradicional das distribuidoras.
Uma única instalação pode exigir expansão relevante de subestações ou linhas.
O próprio MME destaca que o planejamento recente passou a considerar de maneira mais específica essas novas cargas concentradas.
Isso aumenta a importância de atualizar frequentemente o POTEE.
Temporadas de Acesso também vão orientar investimentos
A Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão adicionou uma nova fonte de informação ao planejamento.
Com as Temporadas de Acesso, o ONS passa a reunir periodicamente pedidos reais de conexão de geradores e consumidores.
Esses dados mostram onde existe maior demanda por capacidade.
Quando vários agentes disputam o mesmo barramento, isso pode indicar que determinado ponto da rede precisa de reforço.
Com o tempo, os resultados das temporadas poderão ajudar o planejamento a identificar quais expansões possuem maior urgência.
Na ePowerBay, a Fila de Acesso à Rede (ONS) complementa essa análise, permitindo acompanhar onde estão concentradas as solicitações.

POTEE é atualizado diversas vezes durante o ciclo
A 7ª emissão mostra também que o POTEE é um instrumento dinâmico.
O POTEE 2025 passou por várias emissões desde setembro de 2025.
A primeira foi publicada em setembro daquele ano.
Depois vieram atualizações em dezembro de 2025 e em fevereiro, abril, junho e setembro de 2026.
A 7ª emissão foi disponibilizada pelo MME em 17 de setembro de 2026.
Essa frequência permite incorporar alterações antes que um novo ciclo completo de planejamento seja concluído.
Obras podem ser incluídas, ajustadas ou atualizadas conforme novos estudos são finalizados.
POTEE 2026 já prepara próximo ciclo
Enquanto o POTEE 2025 continua recebendo atualizações, o próximo ciclo já está em desenvolvimento.
O MME abriu em julho a consulta pública da 1ª emissão do POTEE 2026.
A proposta reúne obras de ampliação e reforço em todas as regiões brasileiras, incluindo
Rede Básica, Rede Básica de Fronteira e demais instalações de transmissão.
Esse processo mostra como os ciclos se sobrepõem.
Enquanto determinadas obras de um plano avançam para autorização ou leilão, novos estudos já identificam as necessidades seguintes.
A transmissão exige justamente esse horizonte de planejamento antecipado porque grandes empreendimentos levam anos para ser implantados.
Tempo de construção torna planejamento antecipado essencial
Uma usina solar pode ser construída em poucos anos.
Um grande data center também pode avançar rapidamente após obter as autorizações necessárias.
Uma linha de transmissão de centenas ou milhares de quilômetros pode exigir um prazo significativamente maior.
Estudos, leilão, licenciamento ambiental, desapropriações, construção e comissionamento tornam a implantação mais demorada.
Se o planejamento só reagisse depois que a geração ou a carga estivesse pronta, a infraestrutura chegaria atrasada.
O POTEE procura justamente antecipar essas necessidades.
Investimentos movimentam ampla cadeia produtiva
A expansão da transmissão também possui efeitos econômicos relevantes.
Novas linhas demandam torres, cabos, isoladores, estruturas metálicas e equipamentos de proteção.
Subestações precisam de transformadores, disjuntores, sistemas de controle, automação e diversos outros componentes.
Além das transmissoras, participam desse mercado empresas de engenharia, construção, logística, fabricantes e prestadores de serviços especializados.
Por isso, cada atualização do POTEE pode representar também novas oportunidades para a cadeia de infraestrutura elétrica.
Obras de pequeno porte também possuem grande impacto
Nem todos os reforços exigem grandes leilões.
No início de 2026, a Aneel autorizou 687 reforços de pequeno porte, associados ao POTEE 2025, com cerca de R$ 1 bilhão em investimentos.
As intervenções incluíam adequações de subestações, modernização de equipamentos, sistemas de proteção e comunicação e substituição de componentes existentes.
Individualmente, esses projetos podem parecer menores.
Em conjunto, porém, aumentam confiabilidade e capacidade da rede.
Isso reforça que o planejamento da transmissão ocorre tanto por grandes corredores quanto por centenas de intervenções localizadas.
Planejamento da rede ganha importância comercial
Conhecer onde a rede será reforçada também possui valor estratégico para os agentes privados.
Um desenvolvedor de geração pode avaliar se determinada região terá novas condições de escoamento.
Um grande consumidor pode analisar se futuras obras aumentam a capacidade de conexão.
Uma transmissora pode acompanhar potenciais ativos que posteriormente poderão ser autorizados ou licitados.
Por isso, o planejamento deixou de ser apenas uma informação técnica.
Ele passou a fazer parte da tomada de decisão comercial.
ePowerBay permite acompanhar essa evolução
Para uma pauta relacionada ao POTEE, as soluções mais aderentes da ePowerBay são a pesquisa Subestações da Rede Básica, o Mapa Interativo da plataforma e a Fila de Acesso à Rede (ONS).
A pesquisa de subestações permite analisar os principais pontos da infraestrutura.
O Mapa Interativo ajuda a visualizar linhas, geração e subestações de forma territorial.
Já a Fila de Acesso permite entender onde novos projetos pressionam a capacidade disponível.
Quando utilizadas em conjunto, essas ferramentas ajudam a transformar um plano regulatório em uma leitura prática da evolução da rede.
Perspectivas para o setor
A aprovação da 7ª emissão do POTEE 2025 reforça a dinâmica contínua do planejamento da transmissão brasileira.
A Portaria SNTEP/MME nº 3.200/2026 formaliza uma nova atualização das ampliações e reforços considerados necessários para a Rede Básica e demais instalações do SIN.
O movimento ocorre em um cenário de forte transformação. A geração renovável continua crescendo. O curtailment aumenta. Grandes consumidores disputam espaço na rede. Novas Temporadas de Acesso revelam onde a capacidade está mais pressionada. E a própria operação exige mais flexibilidade e robustez.
Nesse contexto, transmissão deixa de ser apenas infraestrutura de apoio e passa a ser um dos elementos determinantes para saber quais projetos conseguirão avançar.
Na ePowerBay, a Subestações da Rede Básica, o Mapa Interativo e a Fila de Acesso à Rede (ONS) ajudam agentes a acompanhar justamente essa transformação.
O desafio do setor não é apenas produzir mais energia.
É garantir que a rede esteja preparada para transportar essa energia e conectar as novas cargas que estão redesenhando o Sistema Interligado Nacional.
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