top of page

POTEE 2026 abre nova fase para a transmissão

há 13 minutos
10 min de leitura

O Ministério de Minas e Energia aprovou a primeira emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica de 2026, ampliando a carteira de obras previstas para reforçar e modernizar o Sistema Interligado Nacional até 2033.


O novo POTEE reúne 45 obras de expansão distribuídas por 17 estados, abrangendo todas as regiões do país e incorporando projetos destinados a aumentar a capacidade de intercâmbio, melhorar a confiabilidade do atendimento e preparar a rede para uma matriz com participação crescente das fontes eólica e solar.


Entre os maiores destaques está o Bipolo Nordeste II, um novo corredor em corrente contínua entre o Rio Grande do Norte e São Paulo, associado a investimentos superiores a R$ 24 bilhões e desenvolvido para ampliar a capacidade de transferência de energia entre as regiões.


O plano também incorpora soluções que até poucos anos atrás estavam fora do conjunto tradicional de ativos utilizados na expansão da transmissão, como sistemas de armazenamento em baterias e tecnologias capazes de aumentar dinamicamente a utilização das linhas existentes.


Mais do que adicionar quilômetros de rede, o POTEE 2026 mostra uma mudança na forma como o Brasil está planejando sua infraestrutura elétrica.


Plano reúne 45 novas obras


A primeira emissão do POTEE 2026 estabelece as ampliações e reforços que deverão ser implantados na rede até 2033.


As 45 novas obras estão distribuídas por 17 estados e foram definidas com base em estudos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.


O POTEE é uma etapa fundamental do processo de expansão.


É por meio dele que estudos técnicos deixam de ser apenas recomendações de planejamento e passam a integrar o conjunto de empreendimentos que poderão seguir para autorização ou leilão.


Isso transforma necessidades identificadas na operação e nos estudos de longo prazo em novos ativos de transmissão.


Bipolo Nordeste II concentra maior investimento


O empreendimento de maior destaque é o Bipolo Nordeste II, concebido para aumentar a capacidade de intercâmbio entre o Nordeste e o Sudeste.


A solução prevê uma linha em corrente contínua ligando Angicos, no Rio Grande do Norte, a Itaporanga 2, em São Paulo, além de duas estações conversoras.


O sistema terá capacidade de aproximadamente 3.000 MW.


O investimento associado ao conjunto supera R$ 24 bilhões, tornando o projeto um dos maiores empreendimentos de transmissão previstos para os próximos anos.


Sua necessidade está prevista para janeiro de 2033.


A dimensão do projeto mostra o tamanho do desafio de escoamento criado pela expansão renovável brasileira.


Nordeste precisa exportar mais energia


O Nordeste concentra uma parcela crescente da geração eólica e solar do país.


Em vários períodos, a região produz mais energia do que sua própria carga consegue absorver.


Esse excedente precisa ser enviado para outras partes do SIN.


Sudeste e Centro-Oeste continuam concentrando a maior parte da demanda brasileira, criando grandes fluxos de energia entre regiões.


Quando a capacidade das interligações chega ao limite, parte da geração disponível pode não conseguir chegar aos consumidores.


O Bipolo Nordeste II foi planejado justamente para ampliar essa capacidade.


Tecnologia HVDC-VSC será inédita no SIN


O projeto também introduzirá uma novidade tecnológica importante.


O Bipolo Nordeste II deverá utilizar HVDC-VSC, uma tecnologia de transmissão em corrente contínua baseada em conversores fonte de tensão.


Será a primeira aplicação desse tipo em grande escala no Sistema Interligado Nacional.


A EPE destaca que a solução oferece maior capacidade de controle dos fluxos elétricos e pode contribuir para aumentar a estabilidade e a flexibilidade do sistema.


Essas características ganham importância em redes com elevada participação de fontes renováveis conectadas por inversores.


Maior controle pode ajudar integração renovável


Uma das vantagens do HVDC-VSC é a possibilidade de controlar de maneira mais precisa o fluxo de potência.


Em sistemas convencionais de corrente alternada, os fluxos dependem fortemente das características físicas da rede.


Em um elo de corrente contínua controlável, o operador possui maior capacidade de determinar quanto será transferido.


Isso pode ajudar a administrar situações de grande produção renovável no Nordeste.


Também melhora a capacidade de adaptação do sistema a diferentes condições hidrológicas e de carga.


A EPE considera que essa maior controlabilidade pode contribuir inclusive para reduzir custos sistêmicos relacionados às restrições de escoamento da geração renovável.


Curtailment reforça necessidade de expansão


O novo corredor aparece em um momento de crescimento expressivo do curtailment.

Solar e eólica vêm enfrentando volumes cada vez maiores de geração restringida.


Nem todos esses cortes são causados por transmissão.


Em 2026, as restrições por razões energéticas — associadas à existência de mais geração do que demanda — passaram a ganhar grande peso.


Ainda assim, gargalos físicos permanecem importantes.


Quando existe demanda em outro subsistema, mas a energia não consegue chegar até ele por falta de capacidade de transporte, novas interligações podem reduzir diretamente o problema.


O Bipolo Nordeste II atua justamente nessa dimensão.


Transmissão e curtailment precisam ser analisados juntos


Para agentes de geração, acompanhar a expansão da rede se tornou tão importante quanto acompanhar os próprios projetos renováveis.


Uma usina pode possuir excelente recurso solar ou eólico, mas sofrer restrições significativas caso esteja conectada a uma região com baixa capacidade de escoamento.


Na ePowerBay, o Mapa Interativo permite relacionar os projetos de geração às linhas e subestações existentes.


Captura de Tela do Mapa Interativo da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Mapa Interativo da Plataforma ePowerBay

Já a Análise de Curtailment ajuda a identificar regiões e ativos mais expostos aos cortes.


Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay

Quando essas duas informações são observadas conjuntamente, fica mais fácil compreender onde novos reforços de transmissão podem alterar o risco dos empreendimentos.


Acre terá quase R$ 1 bilhão em soluções


O POTEE 2026 também incorpora um importante conjunto de projetos para o Acre.


As soluções previstas para aumentar a confiabilidade do atendimento a Cruzeiro do Sul e Feijó representam aproximadamente R$ 966 milhões.


Parte relevante desse valor está associada às novas linhas de transmissão Tucumã–Feijó e Feijó–Cruzeiro do Sul, em 230 kV, com investimentos estimados em cerca de R$ 717 milhões.


A outra peça do conjunto é ainda mais inovadora: um sistema de armazenamento de energia em baterias.


BESS entra oficialmente no planejamento da transmissão


O plano determina a instalação de um sistema BESS na Subestação Cruzeiro do Sul 230/69 kV.


O projeto terá 100 MW de potência e 200 MWh de capacidade de armazenamento, com investimento estimado em aproximadamente R$ 249 milhões.


A bateria será utilizada para aumentar a confiabilidade do atendimento regional.


Em situações de desligamento das linhas responsáveis pelo suprimento da área, o sistema poderá assumir temporariamente parte do atendimento.


Isso representa uma mudança importante.


A bateria passa a ser utilizada não apenas como recurso energético, mas como componente da própria infraestrutura de transmissão.


Grid-forming amplia função da bateria


O projeto do Acre também utilizará tecnologia grid-forming.


Isso permite que o BESS contribua não apenas fornecendo energia, mas também oferecendo referência de frequência e suporte ao funcionamento da rede.


A EPE destaca essa aplicação como inédita no planejamento brasileiro da transmissão.


Em sistemas com poucos recursos síncronos e longas distâncias elétricas, essa capacidade pode ter grande valor.


O armazenamento passa, portanto, a prestar serviços que vão muito além da simples arbitragem de energia.


Bateria e linha trabalham juntas


O caso do Acre mostra que armazenamento e transmissão não precisam ser tratados como tecnologias concorrentes.


O planejamento prevê simultaneamente novas linhas e um BESS.


As linhas fornecem uma solução estrutural de longo prazo.


A bateria adiciona resposta rápida e aumenta a segurança durante contingências.


Essa combinação pode se tornar mais comum no futuro.


Em determinadas regiões, esperar exclusivamente pela construção de novas linhas pode não ser suficiente para atender necessidades de curto prazo.


DLR permite aumentar uso da infraestrutura existente


Outra novidade prevista no POTEE é a utilização da tecnologia Dynamic Line Rating, ou DLR.


A solução será aplicada à linha de 138 kV Mogi Guaçu I – São João da Boa Vista II, em São Paulo.


Tradicionalmente, a capacidade de uma linha é definida utilizando condições relativamente conservadoras.


O DLR permite calcular sua capacidade em tempo real levando em consideração fatores como temperatura, vento e condições operativas.


Isso pode permitir transportar mais energia sem necessariamente construir uma nova linha.


Digitalização também passa a fazer parte da expansão


A presença do DLR mostra que expansão da transmissão não significa apenas instalar novos ativos.


Também é possível aumentar a capacidade da rede existente por meio de tecnologia.


Sensores, monitoramento, automação e análise em tempo real permitem utilizar melhor equipamentos já implantados.


Esse tipo de solução tende a ganhar importância à medida que licenciamento, disponibilidade de terrenos e custos de novas obras tornam a expansão física mais complexa.


A modernização da rede passa a caminhar junto com sua expansão.


Novas cargas também pressionam o sistema


O POTEE 2026 não responde apenas ao crescimento da geração.


A demanda também está mudando.


Data centers, projetos de hidrogênio de baixo carbono, mineração e novas indústrias podem adicionar grandes blocos de carga ao sistema.


A EPE destaca que o aumento da capacidade de intercâmbio criado pelo Bipolo Nordeste II também abre espaço para atendimento de novas cargas eletrointensivas.


Isso significa que a transmissão passa a enfrentar pressão dos dois lados.


De um lado, precisa escoar nova geração.


Do outro, precisa conectar novos consumidores.


PNAST mostra onde a rede já está pressionada


A nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão ajuda a tornar essa pressão mais visível.


Em 2026, o ONS analisou dezenas de gigawatts em pedidos de conexão de geração e consumo.


A primeira Temporada de Acesso mostrou que, em alguns barramentos, a demanda já supera a capacidade disponível.


Esse tipo de informação pode alimentar os próximos ciclos de planejamento.


Se muitos agentes continuam solicitando acesso nos mesmos pontos, isso indica onde novos investimentos poderão ser necessários.


Na ePowerBay, a Fila de Acesso à Rede (ONS) permite acompanhar essa dinâmica.


Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay

Subestações continuam no centro da expansão


Grandes corredores chamam atenção, mas boa parte das limitações aparece nas subestações.


É nesses pontos que diferentes níveis de tensão são interligados e onde geração e consumidores acessam a Rede Básica.


Um transformador próximo ao limite pode impedir novos projetos mesmo quando existem linhas na região.


Ela permite observar os principais nós da infraestrutura e relacioná-los às regiões que receberão novos investimentos.


POTEE mostra onde futuras oportunidades podem surgir


Para desenvolvedores, acompanhar o plano possui valor estratégico.


Uma região que hoje apresenta limitações pode receber reforços relevantes nos próximos anos.


Isso pode mudar a viabilidade de projetos.


Geradores podem identificar novas áreas com potencial de conexão.


Grandes consumidores podem antecipar regiões onde a capacidade elétrica deverá crescer.


Transmissoras conseguem acompanhar obras que futuramente poderão ser levadas a leilão.


E fornecedores podem identificar onde haverá demanda por equipamentos e serviços.


Projetos ainda passarão por leilões e autorizações


A inclusão de uma obra no POTEE não significa que ela começará imediatamente.


O plano determina quais empreendimentos devem ser implantados.


Depois disso, os projetos seguem para os processos regulatórios correspondentes.


Algumas instalações serão licitadas em leilões de transmissão.


Outras poderão ser executadas por meio de autorizações às concessionárias responsáveis.


Portanto, o POTEE funciona como um mapa da expansão futura.


Ele antecede a contratação efetiva dos investimentos.


Leilões transformarão planejamento em ativos


O ciclo já pode ser observado nos certames atuais.


O leilão de transmissão marcado para outubro de 2026 possui aproximadamente R$ 8,9 bilhões em investimentos e reúne obras originadas em estudos anteriores de expansão.


Da mesma forma, parte dos ativos do POTEE 2026 deverá aparecer em futuros leilões.


Para acompanhar essa transformação, a Pré-Análise de Leilões de Transmissão da ePowerBay permite avaliar os lotes antes das disputas.


Posteriormente, os Resultados de Leilões de Transmissão ajudam a acompanhar vencedores e condições de contratação.


Resiliência climática também entra no planejamento


Outro aspecto importante do novo ciclo é a preocupação com eventos climáticos extremos.


A EPE destaca que estudos recentes passaram a incorporar de maneira mais direta os riscos associados a secas, inundações e outros eventos.


No Acre e em Rondônia, por exemplo, foram avaliadas soluções para aumentar a resiliência do sistema em cenários de secas extremas.


No Rio Grande do Sul, estudos passaram a revisar traçados de linhas e localização de subestações considerando riscos de inundação.


Isso muda a lógica tradicional do planejamento.


A rede não precisa apenas atender a carga e a geração esperadas.


Ela também precisa continuar funcionando diante de condições climáticas mais severas.


Investimento em transmissão ganha nova dimensão


O conjunto de projetos mostra que a transmissão passa por uma transformação tecnológica.


Linhas convencionais continuam sendo fundamentais.


Mas o planejamento agora também incorpora:


sistemas HVDC mais controláveis;


baterias grid-forming;


monitoramento dinâmico da capacidade das linhas;


novos critérios de resiliência;


e integração crescente com grandes cargas e fontes renováveis.


Isso amplia a complexidade dos investimentos.


Também cria novas oportunidades para fabricantes, fornecedores de tecnologia, empresas de engenharia e investidores.


Mapa Interativo ajuda a visualizar o novo ciclo


O Mapa Interativo da ePowerBay é uma das ferramentas mais aderentes à análise do POTEE.


O plano reúne obras espalhadas por praticamente todo o país.


Visualizá-las em conjunto com a infraestrutura existente ajuda a entender por que cada reforço é necessário.


É possível relacionar corredores de transmissão, subestações, geração e regiões consumidoras.


Essa visão territorial é especialmente importante em projetos como o Bipolo Nordeste II, cuja função está diretamente ligada à transferência de grandes blocos de energia entre regiões.


Fila de Acesso mostra a demanda futura


A Fila de Acesso à Rede (ONS) adiciona outra camada à análise.


Enquanto o POTEE mostra onde a infraestrutura deverá crescer, a fila ajuda a mostrar onde agentes já estão buscando conexão.


A comparação entre essas informações permite avaliar se a expansão planejada acompanha os principais vetores de demanda.


Para desenvolvedores, essa leitura pode indicar regiões onde a competição por margem continuará intensa.


Planejamento vai até 2033


As obras do POTEE 2026 possuem diferentes datas de necessidade, com horizonte chegando a 2033.


Isso demonstra por que a transmissão exige decisões antecipadas.


Grandes linhas podem levar muitos anos entre estudo, leilão, licenciamento, construção e entrada em operação.


Se o planejamento começasse apenas quando a necessidade já estivesse materializada, a infraestrutura chegaria tarde.


O setor precisa antecipar a evolução da matriz, da carga e das condições operativas.


Perspectivas para o setor


A primeira emissão do POTEE 2026 mostra uma rede brasileira entrando em uma nova etapa.


O plano reúne 45 novas obras em 17 estados, com implantação prevista até 2033.

O maior destaque é o Bipolo Nordeste II, que deverá ligar Angicos, no Rio Grande do Norte, a Itaporanga 2, em São Paulo, com capacidade de 3 GW e tecnologia HVDC-VSC.


No Acre, o planejamento combina aproximadamente R$ 717 milhões em novas linhas com um BESS de 100 MW e 200 MWh, estimado em cerca de R$ 249 milhões.


Em São Paulo, o Dynamic Line Rating abre uma nova frente para aumentar a capacidade da infraestrutura existente.


Para acompanhar esse movimento na ePowerBay, as ferramentas mais aderentes são a Subestações da Rede Básica, o Mapa Interativo, a Fila de Acesso à Rede (ONS) e, à medida que os projetos avançarem para contratação, a Pré-Análise de Leilões de Transmissão.


O POTEE 2026 mostra que o próximo ciclo de expansão não será construído apenas com mais linhas.


Ele combina capacidade, digitalização, armazenamento, novas tecnologias e planejamento de longo prazo para preparar o SIN para uma matriz cada vez mais renovável e para um novo perfil de grandes consumidores.


🔗 Entre em Contato e saiba mais sobre como a ePowerBay pode transformar seus projetos em realidade



Comentários


Últimas Novidades da Plataforma ePowerBay
Posts Recentes
Editoriais
bottom of page