PNAST viabiliza 30,7 GW em acessos à Rede Básica
A nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, a PNAST, já começa a produzir resultados concretos sobre a organização dos pedidos de conexão à Rede Básica.
Desde a implementação do novo modelo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico analisou mais de 43 GW em solicitações de acesso apresentadas por geradores e grandes consumidores. Desse total, 30,7 GW foram viabilizados ou habilitados para conexão em 2026.
O resultado reúne duas etapas diferentes.
Na fase transitória da PNAST, foram viabilizados 19,7 GW, com a emissão de mais de 180 Pareceres de Acesso.
Outros 11 GW correspondem aos projetos que puderam optar por seguir na primeira Temporada de Acesso de 2026.
Mais do que um novo procedimento administrativo, a PNAST representa uma mudança na forma como o setor distribui um recurso cada vez mais escasso: a capacidade disponível da transmissão.
Mais de 43 GW foram analisados pelo ONS
A dimensão dos pedidos mostra a pressão crescente sobre a infraestrutura elétrica brasileira.
Desde a criação da PNAST, mais de 43 GW de solicitações de conexão foram encaminhados ao ONS.
Os pedidos vêm tanto do lado da geração quanto do consumo.
Na fase transitória, os processos estavam relacionados a aproximadamente 9,82 GW em solicitações de geração e 13,5 GW de consumo.
Esses números ajudam a mostrar como o perfil da disputa pela Rede Básica mudou.
Durante muitos anos, grande parte da pressão por conexão vinha da expansão de usinas eólicas e solares.
Agora, grandes cargas começam a ocupar uma parcela relevante dos pedidos.
Data centers, plantas industriais, projetos de hidrogênio de baixo carbono e outros consumidores eletrointensivos passam a disputar capacidade de transmissão diretamente com novos projetos de geração.
Fase transitória viabilizou 19,7 GW
Antes da primeira Temporada de Acesso, a PNAST estabeleceu um período de transição.
Nessa etapa, o ONS trabalhou para concluir solicitações que já estavam em andamento antes da implantação completa do novo modelo.
O resultado foi a viabilização de 19,7 GW.
Mais de 180 Pareceres de Acesso foram emitidos nesse período.
O volume é relevante porque mostra que a mudança regulatória não paralisou os processos existentes.
Ao contrário, a transição procurou organizar e concluir pedidos anteriores antes da adoção definitiva das temporadas.
Isso permitiu reduzir parte do estoque acumulado de solicitações.
Temporadas de Acesso mudam lógica da conexão
A principal mudança da PNAST está na substituição de uma lógica baseada predominantemente na ordem cronológica dos pedidos por um sistema de Temporadas de Acesso.
Nesse novo modelo, diferentes solicitações são analisadas simultaneamente.
Quando existe capacidade suficiente em determinado ponto da rede, o projeto pode receber indicação de atendimento direto.
Quando a soma dos pedidos supera a margem disponível, os agentes passam a disputar essa capacidade em um processo competitivo.
Essa mudança tenta aumentar a eficiência na utilização da rede.
Uma fila puramente cronológica pode reservar capacidade para projetos que posteriormente não avançam.
Ao avaliar diferentes solicitações conjuntamente, o sistema consegue identificar melhor quais empreendimentos possuem condições reais de seguir adiante.
Primeira temporada colocou 11 GW no processo
Dos 30,7 GW contabilizados pelo ONS, 11 GW correspondem aos projetos que puderam optar por continuar na primeira Temporada de Acesso de 2026.
Esse volume veio de uma primeira rodada que começou com aproximadamente 20 GW cadastrados.
Após análises técnicas, disponibilidade de margem e manifestação dos interessados, apenas parte dos empreendimentos continuou avançando.
O número ilustra uma diferença importante entre potência cadastrada e capacidade efetivamente viável de conexão.
Nem todo projeto interessado em acessar a Rede Básica encontrará infraestrutura disponível.
Essa filtragem passa a ser uma das principais funções da nova política.
3,42 GW receberam indicação de atendimento direto
Após a etapa de manifestações da primeira temporada, encerrada em 11 de setembro, projetos que totalizam 3,42 GW receberam indicação de atendimento direto e avançaram para a emissão do diagnóstico prévio de acesso.
Na prática, esses projetos estão localizados em pontos onde as análises indicaram capacidade suficiente para continuidade do processo sem necessidade de disputa.
Esse tipo de sinalização possui valor relevante para desenvolvedores.
A conexão é um dos principais riscos de um projeto de geração ou de uma grande carga.
Uma indicação positiva reduz incertezas sobre a infraestrutura necessária e pode ajudar a destravar decisões de investimento.
Parte dos projetos seguirá para disputa
Nem todos os pontos possuem margem suficiente para atender a todos os interessados.
Na primeira Temporada de Acesso, 451 MW associados a empreendimentos de consumo foram encaminhados para processo competitivo por apenas 228 MW de capacidade remanescente em São Paulo.
Esse é justamente o tipo de situação para o qual a PNAST foi criada.
Quando a capacidade solicitada supera a capacidade disponível, não é possível simplesmente atender todos os pedidos.
É necessário estabelecer um mecanismo para selecionar quem ficará com a margem.
Pela primeira vez, essa alocação ocorrerá por meio de processo competitivo.
Processo competitivo está marcado para outubro
O primeiro processo competitivo da PNAST está previsto para 6 de outubro de 2026.
No dia seguinte, o ONS programou um evento de encerramento da primeira Temporada de Acesso, em Brasília.
Esse momento será importante porque marcará a primeira aplicação completa do novo modelo.
Até agora, boa parte do processo foi voltada à análise de pedidos e identificação da capacidade remanescente.
A etapa competitiva mostrará como o sistema funcionará quando diferentes agentes disputarem efetivamente um mesmo recurso de transmissão.
São Paulo mostra pressão das grandes cargas
A necessidade de disputa em São Paulo é particularmente representativa da transformação do setor.
O estado concentra o maior mercado consumidor do país e vem recebendo grande volume de novos projetos de consumo intensivo de energia.
Data centers são um dos principais exemplos.
Esses empreendimentos podem demandar centenas de megawatts individualmente.
Quando vários projetos procuram conexão na mesma região, a pressão sobre subestações e corredores de transmissão cresce rapidamente.
Nesse cenário, a existência de energia disponível no país não significa necessariamente que a conexão esteja disponível exatamente onde o consumidor deseja se instalar.
Acesso passa a influenciar localização de investimentos
Essa nova realidade pode modificar a própria escolha de localização dos projetos.
Uma empresa pode encontrar terreno adequado, conectividade, incentivos fiscais e proximidade de clientes em determinada região.
Mas, se não houver capacidade elétrica disponível, o investimento pode precisar ser redirecionado.
Para grandes cargas, a disponibilidade de acesso começa a se tornar tão importante quanto outros fatores tradicionais de localização.
O mesmo vale para geração.
Um projeto solar com excelente irradiação ou um parque eólico com recurso excepcional pode perder competitividade se estiver conectado a uma região já saturada.
Fila de Acesso ganha importância estratégica
Na ePowerBay, a Fila de Acesso à Rede (ONS) é a ferramenta mais diretamente ligada a esse processo.

A solução permite acompanhar pedidos de acesso e entender onde existe maior concentração de projetos buscando conexão.
Com a PNAST, esse acompanhamento ganha uma nova importância.
Não basta saber quantos empreendimentos estão na fila.
É necessário entender em quais pontos da rede eles estão concentrados, qual potência solicitam e quais regiões possuem margem efetivamente disponível.
Essa leitura pode ajudar desenvolvedores a evitar áreas com elevada competição por conexão.
Subestações se tornam ativos ainda mais estratégicos
A disponibilidade de margem está diretamente relacionada às condições das subestações.
Um barramento com capacidade disponível pode se tornar um ponto de atração para novos projetos.
Já uma subestação saturada pode limitar o desenvolvimento de empreendimentos em toda uma região.
Por isso, a pesquisa Subestações da Rede Básica da ePowerBay complementa a análise dos pedidos de acesso.

Ela permite identificar os principais nós da rede e relacioná-los aos projetos interessados em conexão.
A combinação entre infraestrutura existente e demanda futura ajuda a formar uma visão mais realista do potencial de cada região.
Mapa Interativo ajuda a visualizar concentração
A dimensão territorial também é fundamental.
No Mapa Interativo da ePowerBay, é possível relacionar geração, subestações, linhas e outros ativos da infraestrutura elétrica.

Quando essa visão é combinada com as informações da fila de acesso, ficam mais claras as regiões em que muitos projetos disputam poucos pontos de conexão.
Isso também ajuda a identificar áreas em que futuras obras de transmissão poderão destravar novos investimentos.
A conexão deixa de ser uma informação isolada e passa a fazer parte de uma análise geográfica mais ampla.
PNAST também ajuda o planejamento da transmissão
A nova política não serve apenas para distribuir a margem existente.
Ela também produz informações valiosas para o planejamento futuro.
Se várias temporadas consecutivas mostrarem excesso de demanda em determinados barramentos, isso representa um sinal importante de necessidade de expansão.
O Ministério de Minas e Energia, a EPE e o ONS podem utilizar essas informações para orientar estudos de novas linhas, subestações ou reforços.
A PNAST cria, portanto, uma ligação mais direta entre interesse real dos agentes e planejamento da rede.
POTEE pode incorporar sinais das temporadas
Esse tipo de informação pode ganhar relevância também no Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica.
O POTEE reúne ampliações e reforços considerados necessários para a Rede Básica.
À medida que as Temporadas de Acesso revelam onde a procura por conexão supera sistematicamente a capacidade disponível, essas regiões podem ganhar prioridade em novos estudos.
A combinação entre PNAST e POTEE tende a tornar o planejamento mais aderente à demanda efetiva do mercado.
Nova política não cria capacidade física
É importante observar, entretanto, que a PNAST melhora a distribuição da capacidade existente, mas não cria novas linhas ou subestações por si só.
Se determinado barramento possui 200 MW de margem e recebe pedidos de 500 MW, o processo competitivo pode definir quem utilizará os 200 MW.
Os outros 300 MW continuarão sem espaço até que a infraestrutura seja ampliada.
Por isso, a política precisa operar em conjunto com os investimentos em transmissão.
Organizar melhor a fila é parte da solução.
Expandir a rede continua sendo indispensável.
Geração renovável continua pressionando o sistema
A expansão solar e eólica permanece entre os principais vetores de pedidos de conexão.
O Brasil possui um grande pipeline de projetos renováveis.
Nem todos serão construídos.
Um dos principais filtros deverá ser justamente o acesso à rede.
Projetos localizados em áreas com margem disponível poderão avançar mais rapidamente.
Outros precisarão esperar novos reforços ou competir pela capacidade existente.
Esse processo pode ajudar a tornar o pipeline nacional de geração mais realista.
Grandes consumidores mudam equilíbrio da rede
Ao mesmo tempo, novos consumidores começam a competir diretamente com esses projetos.
Essa mudança é importante porque geração e consumo provocam impactos diferentes na rede.
Uma nova usina injeta energia.
Uma nova carga retira energia.
Dependendo da localização, um consumidor pode inclusive ajudar a absorver excedentes renováveis.
Em outros pontos, porém, pode exigir grandes reforços na infraestrutura.
Por isso, a análise precisa considerar cada região individualmente.
Data centers podem acelerar disputa
Os data centers são uma das principais cargas associadas a essa transformação.
O crescimento da inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais aumenta significativamente a demanda por centros de processamento de dados.
Esses empreendimentos possuem consumo elevado e operação praticamente contínua.
No Brasil, estados como São Paulo concentram grande interesse desse segmento.
A necessidade de disputa por capacidade em pontos paulistas durante a primeira temporada mostra que acesso à transmissão já começa a funcionar como um fator limitante real.
Hidrogênio adiciona outra fonte de demanda
Projetos de hidrogênio de baixo carbono também aparecem entre as novas grandes cargas citadas pelo governo.
Dependendo da escala, eletrolisadores podem demandar centenas ou até milhares de megawatts.
Esses projetos tendem a buscar regiões próximas a grandes volumes de geração renovável.
Isso pode criar uma nova dinâmica.
Ao mesmo tempo em que aumentam a pressão por conexão, também podem consumir energia em regiões onde existe excesso de oferta.
Nesse sentido, grandes cargas podem se tornar parte da solução para determinados gargalos energéticos.
A partir de 2027 serão ao menos duas temporadas por ano
A primeira Temporada de Acesso funciona também como um teste do novo modelo.
A partir de 2027, estão previstas pelo menos duas Temporadas de Acesso por ano.
Essa periodicidade cria maior previsibilidade para os agentes.
Em vez de um processo contínuo pouco estruturado, haverá janelas específicas para análise conjunta dos pedidos.
Com o tempo, o mercado também deverá aprender a planejar seus cronogramas em torno dessas temporadas.
Projetos precisarão demonstrar maior maturidade
Um dos efeitos esperados da nova política é reduzir pedidos especulativos.
Quando capacidade de transmissão é escassa, reservar margem para um projeto pouco maduro gera um custo para todo o sistema.
Outro empreendimento mais avançado pode ficar sem acesso.
A introdução de processos competitivos e requisitos mais estruturados tende a aumentar o
incentivo para que os projetos cheguem às temporadas com maior grau de desenvolvimento.
Isso pode ajudar a reduzir a diferença entre potência solicitada e capacidade efetivamente construída.
30,7 GW não significam novas usinas já conectadas
É importante interpretar corretamente o número divulgado pelo ONS.
Os 30,7 GW não representam capacidade nova já instalada ou operando no SIN.
O valor corresponde a pedidos viabilizados ou habilitados para avançar no processo de conexão dentro da PNAST.
Os projetos ainda precisam cumprir etapas técnicas, regulatórias, ambientais, financeiras e construtivas.
Alguns podem não chegar à operação.
O indicador mostra, portanto, o volume que encontrou uma trajetória possível de acesso à rede — e não nova capacidade já entregue ao sistema.
Eficiência do acesso pode reduzir capacidade ociosa
Uma das vantagens esperadas da nova política é utilizar melhor a infraestrutura existente.
Se pedidos pouco maduros deixam de bloquear capacidade durante longos períodos, a mesma rede pode atender projetos com maior probabilidade de implantação.
Isso melhora o aproveitamento dos ativos já construídos.
Em um sistema com bilhões de reais investidos em transmissão, utilizar melhor a margem disponível possui impacto econômico relevante.
Cada megawatt liberado sem necessidade imediata de nova obra representa melhor utilização da infraestrutura existente.
Perspectivas para o setor
Os resultados consolidados de 2026 mostram que a PNAST já alcançou escala relevante.
Mais de 43 GW em pedidos de acesso foram analisados, enquanto 30,7 GW foram viabilizados ou habilitados para conexão à Rede Básica.
Desse total, 19,7 GW vieram da fase transitória, com mais de 180 Pareceres de Acesso emitidos.
Os 11 GW restantes correspondem aos projetos que tiveram possibilidade de seguir para a primeira Temporada de Acesso.
Após a manifestação dos agentes, 3,42 GW receberam indicação de atendimento direto, enquanto parte da demanda em São Paulo precisará disputar capacidade em processo competitivo.
Para acompanhar essa transformação na ePowerBay, as soluções mais aderentes são a Fila de Acesso à Rede (ONS), a pesquisa Subestações da Rede Básica e o Mapa Interativo da plataforma.
A PNAST não resolve sozinha a necessidade de expansão da infraestrutura.
Mas muda uma etapa fundamental: a maneira como o espaço disponível na rede é distribuído.
Em um setor no qual geração renovável, data centers, hidrogênio e novas indústrias disputam cada vez mais capacidade de conexão, saber onde existe margem pode ser tão importante quanto saber onde existe energia.
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