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Leilão de baterias entra na agenda do MME

  • há 7 minutos
  • 4 min de leitura

O ministro Alexandre Silveira, à frente do Ministério de Minas e Energia (MME), anunciou que o governo federal pretende realizar, já em junho de 2026, um leilão específico para sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS). A proposta, além de incorporar baterias como ativos estratégicos de capacidade e flexibilização no sistema elétrico, prevê que o leilão incluirá exigência de conteúdo local para garantir desenvolvimento industrial e agregação de valor no país.


A iniciativa representa um passo importante no reconhecimento de que os sistemas de armazenamento não são apenas coadjuvantes da geração renovável, mas componentes centrais de um novo desenho de operação e planejamento, conectando geração, consumo e rede de forma mais eficiente e sustentável.


Por que um leilão específico para baterias


A crescente participação de fontes renováveis intermitentes no Brasil — especialmente solar e eólica — aumentou a necessidade de soluções de flexibilidade operacional no sistema elétrico. Em um contexto em que a geração não é controlável de forma direta, mecanismos que permitam armazenar excedentes e liberar potência nos momentos críticos tornam-se relevantes não apenas para eficiência técnica, mas também para estabilidade e segurança operativa.


Os sistemas de armazenamento por baterias (BESS) oferecem capacidades de resposta rápida, redução de curtailment de renováveis, suporte à frequência e outros serviços auxiliares que, historicamente, foram fornecidos por usinas térmicas despacháveis. Um leilão focado em baterias amplia o leque de participantes, fomenta tecnologia local e incentiva investimentos em infraestrutura que vai além da geração convencional.


Conteúdo local: desenvolvimento industrial e competitividade


Um dos pontos mais significativos anunciados pelo ministro foi a intenção de incluir critério de conteúdo local no leilão. Isso significa que parte dos requisitos para participação ou para obtenção de benefícios regulatórios dependerá de componentes ou serviços produzidos no Brasil.


A inclusão de conteúdo local tem implicações importantes:

  • Estímulo ao desenvolvimento de cadeias produtivas de armazenamento no país;

  • Fortalecimento de fornecedores nacionais de baterias, inversores e sistemas auxiliares;

  • Geração de empregos e transferência de tecnologia;

  • Aumento da competitividade da indústria local frente a players internacionais.


Ao mesmo tempo, a adoção de conteúdo local requer atenção a impactos potenciais nos custos de projeto e cronograma de implantação, de modo que o desenho regulatório precisa equilibrar eficiência econômica e objetivos de desenvolvimento industrial.


Baterias no centro da operação sistêmica


Os sistemas de armazenamento, mesmo não gerando energia por si, podem atuar como uma espécie de “colchão” entre a curva de geração renovável e a curva de consumo. Em horários de excesso de oferta, as baterias podem absorver energia; em momentos de pico de demanda ou sob restrições operativas, podem liberar potência rapidamente ao sistema.


Esse papel operacional é fundamental para reduzir o risco de curtailment — cortes forçados de geração — e para melhorar a utilização de ativos renováveis. O fenômeno de curtailment, por vezes associado à saturação de rede ou à incapacidade da infraestrutura de absorver a energia produzida, reduz a eficiência geral do sistema.


A Análise de Curtailment da ePowerBay permite identificar regiões com histórico mais frequente de restrições operativas, apoiando a avaliação de onde sistemas de armazenamento podem gerar maior valor estratégico ao reduzir perdas.


Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay

Conexão com transmissão, acesso à rede e localização estratégica


A viabilidade técnica e econômica de projetos de armazenamento depende, em grande medida, da sua localização e do acesso à rede elétrica. Em muitas regiões onde há forte expansão de geração renovável, a pressão por acesso à rede é elevada e a disponibilidade de margem de conexão pode limitar a entrada de novos ativos.


A Fila de Acesso à Rede (ONS) da ePowerBay oferece visibilidade sobre pedidos de conexão de projetos de armazenamento, geração e grandes cargas, permitindo identificar corredores onde a competição por infraestrutura tende a ser mais intensa. Esse tipo de informação é especialmente útil para agentes que pretendem estruturar projetos voltados ao leilão de baterias.


Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay

A integração de baterias com a infraestrutura existente da rede pode também reduzir custos de reforço de transmissão, ao permitir que o armazenamento local alivie pontos críticos de escoamento em determinados horários do dia.


O papel das baterias nos LRCAP e no mercado de capacidade


Os sistemas de armazenamento ganham relevância não apenas pela sua função operacional, mas também pela sua capacidade de atuar em mecanismos de mercado relacionados à reserva de capacidade, como os LRCAP. Com o preço-teto dos LRCAP já definidos, baterias se mostram competitivas por sua capacidade de oferecer potência de forma rápida, com baixos tempos de resposta e sem a necessidade de combustíveis fósseis.


Ao inserir um leilão de baterias no calendário regulatório, o setor passa a considerar essas soluções como componentes estruturais do mix de potência do sistema elétrico, não apenas como ativos complementares.


O Dashboard de Consumo de Energia Elétrica no SIN da ePowerBay pode ajudar a identificar janelas de operação onde a presença de armazenamento oferece maior benefício, ao cruzar dados de consumo com padrões de geração e demanda em horários críticos.


Captura de Tela do Dashboard de Consumo de Energia Elétrica da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Dashboard de Consumo de Energia Elétrica da Plataforma ePowerBay

Implicações regulatórias e perspectivas de mercado


A inclusão de conteúdo local e a promoção de um leilão específico para baterias sinalizam uma abertura regulatória proativa, que busca alinhar objetivos de segurança energética, desenvolvimento tecnológico e políticas industriais. No entanto, também traz desafios operacionais e econômicos:

  • como calibrar exigências de conteúdo local sem elevar custos excessivos;

  • como estruturar garantias contratuais e mecanismos de remuneração para ativos que não geram energia diretamente;

  • como integrar os resultados do leilão às necessidades de transmissão e ao planejamento do SIN;

  • como promover competição saudável entre tecnologias tradicionais e emergentes.


Esses temas tendem a ser objeto de discussão no ambiente regulatório e entre os agentes que historicamente participam dos leilões de energia e de capacidade.


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