MME define preços-teto para os leilões de reserva de capacidade
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O Ministério de Minas e Energia (MME) definiu os preços-teto que serão aplicados nos Leilões de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) previstos para março de 2026. A medida faz parte da estratégia do governo federal para reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) em um contexto de transformação da matriz elétrica, marcado pelo crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes e pela necessidade de garantir potência disponível em momentos críticos.
A definição dos valores foi encaminhada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e estabelece os parâmetros econômicos que orientarão a participação de usinas despacháveis nos certames, oferecendo maior previsibilidade regulatória aos agentes do setor.
Leilões de reserva de capacidade e seu papel no sistema elétrico
Os leilões de reserva de capacidade têm como objetivo contratar potência elétrica disponível, e não necessariamente energia produzida de forma contínua. Trata-se de um instrumento complementar aos leilões tradicionais de energia, focado em assegurar que o sistema conte com usinas capazes de responder rapidamente às necessidades operativas, especialmente em cenários de estresse hidrológico, picos de demanda ou baixa disponibilidade de fontes intermitentes.
Com a crescente participação de geração solar e eólica na matriz elétrica brasileira, a contratação de capacidade despachável passou a ter papel central no planejamento setorial, funcionando como um mecanismo de confiabilidade e equilíbrio do sistema.
Estrutura dos certames e preços-teto estabelecidos
O MME definiu preços-teto distintos de acordo com a fonte, o estágio do empreendimento e o período de suprimento, refletindo diferenças de custo, perfil operacional e papel sistêmico de cada tecnologia.
No leilão previsto para 18 de março de 2026, voltado a termelétricas e hidrelétricas com ampliação de capacidade, os principais parâmetros definidos incluem:
Termelétricas existentes a gás natural ou carvão mineral conectadas ao Sistema de Transporte de Gás Natural, com preço-teto anual por megawatt e contratos de suprimento de dez anos;
Termelétricas existentes a gás ou carvão e novas usinas a gás natural, com valores diferenciados e contratos de longo prazo, podendo chegar a quinze anos;
Hidrelétricas existentes com ampliação de capacidade instalada, com preço-teto específico e suprimento também por quinze anos.
Já o leilão programado para 20 de março de 2026, direcionado a termelétricas existentes a óleo combustível, óleo diesel e biodiesel, estabelece preços-teto e prazos mais curtos para óleo e diesel, e contratos mais longos para biodiesel, refletindo o papel dessas usinas como solução de segurança em momentos específicos de necessidade do sistema.
Reação do mercado e debate sobre atratividade econômica
A definição dos preços-teto reacendeu o debate no mercado sobre a atratividade econômica dos leilões de reserva de capacidade. Parte dos agentes avalia que os valores estabelecidos exigem elevada eficiência operacional e rigor no controle de custos para viabilizar a participação, especialmente no caso de termelétricas a gás natural.
Esse debate é relevante porque os LRCAPs precisam equilibrar dois objetivos potencialmente conflitantes: garantir segurança energética a custos razoáveis para o consumidor e, ao mesmo tempo, oferecer remuneração suficiente para estimular investimentos e manter ativos estratégicos disponíveis para o sistema.
Integração com o planejamento do consumo e da oferta
A contratação de capacidade não ocorre de forma isolada. Ela está diretamente relacionada à evolução do consumo, à localização das cargas e à dinâmica de oferta de energia no país. A análise integrada desses fatores é essencial para que a potência contratada esteja disponível onde e quando o sistema realmente necessita.
O Dashboard de Consumo de Energia Elétrica no SIN da ePowerBay permite acompanhar a evolução da carga por subsistema e ao longo do tempo, fornecendo subsídios importantes para avaliar a necessidade de capacidade adicional em determinadas regiões ou períodos.

Ao mesmo tempo, a Análise de Projetos de Geração da ePowerBay possibilita mapear usinas despacháveis existentes e projetos em desenvolvimento, ajudando agentes a entender quais empreendimentos têm perfil adequado para participar dos leilões e como eles se inserem no contexto regional da matriz elétrica.

Acesso à rede e viabilidade da potência contratada
Outro ponto crítico para o sucesso dos leilões de reserva de capacidade é a viabilidade de conexão das usinas ao sistema elétrico. A contratação de potência só é efetiva se os empreendimentos puderem ser plenamente integrados à rede, sem restrições significativas de transmissão ou acesso.
Nesse sentido, a Fila de Acesso à Rede (ONS) disponível na ePowerBay oferece visibilidade sobre os pedidos de conexão de projetos de geração, permitindo identificar gargalos potenciais e avaliar se a potência contratada poderá ser efetivamente mobilizada quando necessária.

Capacidade, transmissão e riscos operacionais
A discussão sobre reserva de capacidade também se conecta ao tema da infraestrutura de transmissão. Em regiões onde a rede está mais pressionada, mesmo usinas despacháveis podem enfrentar limitações operativas, reduzindo a efetividade da potência contratada.
A Análise de Curtailment da ePowerBay ajuda a identificar áreas com histórico de restrições operativas, permitindo avaliar riscos associados à localização dos ativos e à capacidade real de resposta do sistema em situações críticas.

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