Gargalos na rede limitam 2,5 TW de energia renovável
- Contato ePowerBay
- há 1 dia
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A transição energética global enfrenta um obstáculo cada vez mais evidente: a infraestrutura elétrica não avança no mesmo ritmo da expansão das energias renováveis. Um relatório recente da Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que até 2,5 terawatts (TW) de capacidade renovável — principalmente solar e eólica — estão hoje limitados por gargalos na rede elétrica, resultando em aumento de curtailment e perdas significativas de eficiência no sistema energético mundial.
O alerta reforça uma mudança importante no debate energético global. Se antes o principal desafio era viabilizar novos projetos de geração limpa, agora o foco se desloca para a capacidade de escoamento, integração e operação da rede, sem a qual a energia
renovável simplesmente não chega ao consumidor final.
Quando a rede vira o elo fraco da transição
Os gargalos de rede surgem quando a infraestrutura de transmissão e distribuição não consegue absorver ou transportar toda a energia gerada. Esse problema tende a se intensificar em sistemas com alta participação de fontes intermitentes, especialmente quando:
novos projetos de geração se concentram em regiões remotas;
a expansão da transmissão ocorre com atrasos;
há competição por acesso à rede entre geração e grandes cargas;
o planejamento não acompanha a velocidade de implantação das usinas.
Nessas condições, o operador do sistema pode ser obrigado a reduzir a produção de usinas renováveis, mesmo quando há recurso disponível — caracterizando o curtailment. O resultado é paradoxal: energia limpa instalada, mas não plenamente utilizada.
A dimensão global do problema
Segundo a IEA, o volume de capacidade renovável impactado por limitações de rede já alcança 2,5 TW, valor expressivo quando comparado à capacidade total instalada de muitos países. Em mercados maduros e emergentes, o curtailment deixou de ser exceção e passou a ser um fator estrutural da operação elétrica.
Além das perdas energéticas, o fenômeno gera impactos econômicos relevantes: redução de receitas para geradores, aumento do risco de projetos, necessidade de renegociação de contratos e menor eficiência do investimento em energia limpa.
Esse cenário evidencia que a transição energética não depende apenas de tecnologia de geração, mas de infraestrutura, coordenação institucional e planejamento sistêmico.
Brasil: crescimento renovável e pressão sobre a rede
No Brasil, a expansão acelerada da geração solar e eólica nos últimos anos reforça a relevância do alerta da IEA. A matriz elétrica brasileira segue se tornando mais limpa, mas também mais complexa do ponto de vista operacional, especialmente pela concentração regional de novos projetos.
Regiões com alta incidência solar e eólica — como Nordeste e partes do Sudeste — vêm recebendo volumes significativos de novos empreendimentos, enquanto os principais centros de consumo permanecem geograficamente distantes. Essa assimetria aumenta a dependência da transmissão e amplia o risco de restrições.
A Fila de Acesso à Rede (ONS) da ePowerBay permite acompanhar onde se concentram os pedidos de conexão de projetos de geração, oferecendo um sinal antecipado de corredores elétricos sob maior pressão e regiões onde gargalos podem se materializar.

Curtailment como risco estrutural, não pontual
À medida que o sistema se torna mais dependente de fontes intermitentes, o curtailment deixa de ser um evento ocasional e passa a integrar o conjunto de riscos estruturais do setor elétrico. Ele pode surgir não apenas por falta de rede, mas também por limitações operativas, despacho de segurança e restrições regionais.
A Análise de Curtailment da ePowerBay permite identificar áreas com maior incidência histórica de cortes de geração e avaliar como a expansão da transmissão ou a entrada de novas cargas pode alterar esse cenário. Para investidores e planejadores, essa leitura é fundamental para estimar riscos e definir estratégias de mitigação.

Transmissão, consumo e coordenação sistêmica
O alerta da IEA também evidencia que o problema dos gargalos não pode ser resolvido apenas com mais linhas de transmissão. É necessária uma visão integrada que considere:
onde a geração está crescendo;
como o consumo evolui regionalmente;
quais grandes cargas podem absorver excedentes locais;
como a rede pode ser utilizada de forma mais eficiente.
O Dashboard de Consumo de Energia Elétrica no SIN da ePowerBay ajuda a analisar como a demanda se distribui entre subsistemas e ao longo do tempo, permitindo avaliar se novas cargas podem reduzir desequilíbrios regionais ou se tendem a competir pela mesma infraestrutura limitada.

Já o Mapa Interativo da ePowerBay oferece uma visão territorial integrada entre geração, transmissão e consumo, essencial para antecipar gargalos e orientar decisões de investimento.

Implicações para o mercado e para os investimentos
Em um cenário de maior curtailment e restrições de rede, a competitividade dos projetos
renováveis passa a depender não apenas do custo de geração, mas também da localização, do acesso à infraestrutura e do risco operativo. Contratos de energia, especialmente no mercado livre, precisam considerar essas variáveis para evitar exposições excessivas.
Além disso, gargalos persistentes podem atrasar a entrada de novos projetos, elevar custos sistêmicos e reduzir a eficiência da transição energética, mesmo em países com grande potencial renovável.
Infraestrutura como condição para a transição energética
O relatório da IEA deixa claro que a transição energética global entra em uma nova fase. A expansão da geração limpa, por si só, não garante eficiência nem segurança energética. A rede elétrica passa a ser tão estratégica quanto as usinas.
No Brasil e no mundo, acelerar investimentos em transmissão, aprimorar o planejamento integrado e utilizar dados de forma inteligente serão fatores decisivos para destravar o potencial renovável já instalado.
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