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Gargalos na rede limitam 2,5 TW de energia renovável

  • Contato ePowerBay
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

A transição energética global enfrenta um obstáculo cada vez mais evidente: a infraestrutura elétrica não avança no mesmo ritmo da expansão das energias renováveis. Um relatório recente da Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que até 2,5 terawatts (TW) de capacidade renovável — principalmente solar e eólica — estão hoje limitados por gargalos na rede elétrica, resultando em aumento de curtailment e perdas significativas de eficiência no sistema energético mundial.


O alerta reforça uma mudança importante no debate energético global. Se antes o principal desafio era viabilizar novos projetos de geração limpa, agora o foco se desloca para a capacidade de escoamento, integração e operação da rede, sem a qual a energia

renovável simplesmente não chega ao consumidor final.


Quando a rede vira o elo fraco da transição


Os gargalos de rede surgem quando a infraestrutura de transmissão e distribuição não consegue absorver ou transportar toda a energia gerada. Esse problema tende a se intensificar em sistemas com alta participação de fontes intermitentes, especialmente quando:

  • novos projetos de geração se concentram em regiões remotas;

  • a expansão da transmissão ocorre com atrasos;

  • há competição por acesso à rede entre geração e grandes cargas;

  • o planejamento não acompanha a velocidade de implantação das usinas.


Nessas condições, o operador do sistema pode ser obrigado a reduzir a produção de usinas renováveis, mesmo quando há recurso disponível — caracterizando o curtailment. O resultado é paradoxal: energia limpa instalada, mas não plenamente utilizada.


A dimensão global do problema


Segundo a IEA, o volume de capacidade renovável impactado por limitações de rede já alcança 2,5 TW, valor expressivo quando comparado à capacidade total instalada de muitos países. Em mercados maduros e emergentes, o curtailment deixou de ser exceção e passou a ser um fator estrutural da operação elétrica.


Além das perdas energéticas, o fenômeno gera impactos econômicos relevantes: redução de receitas para geradores, aumento do risco de projetos, necessidade de renegociação de contratos e menor eficiência do investimento em energia limpa.


Esse cenário evidencia que a transição energética não depende apenas de tecnologia de geração, mas de infraestrutura, coordenação institucional e planejamento sistêmico.


Brasil: crescimento renovável e pressão sobre a rede


No Brasil, a expansão acelerada da geração solar e eólica nos últimos anos reforça a relevância do alerta da IEA. A matriz elétrica brasileira segue se tornando mais limpa, mas também mais complexa do ponto de vista operacional, especialmente pela concentração regional de novos projetos.


Regiões com alta incidência solar e eólica — como Nordeste e partes do Sudeste — vêm recebendo volumes significativos de novos empreendimentos, enquanto os principais centros de consumo permanecem geograficamente distantes. Essa assimetria aumenta a dependência da transmissão e amplia o risco de restrições.


A Fila de Acesso à Rede (ONS) da ePowerBay permite acompanhar onde se concentram os pedidos de conexão de projetos de geração, oferecendo um sinal antecipado de corredores elétricos sob maior pressão e regiões onde gargalos podem se materializar.


Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Fila de Acesso à Rede da Plataforma ePowerBay

Curtailment como risco estrutural, não pontual


À medida que o sistema se torna mais dependente de fontes intermitentes, o curtailment deixa de ser um evento ocasional e passa a integrar o conjunto de riscos estruturais do setor elétrico. Ele pode surgir não apenas por falta de rede, mas também por limitações operativas, despacho de segurança e restrições regionais.


A Análise de Curtailment da ePowerBay permite identificar áreas com maior incidência histórica de cortes de geração e avaliar como a expansão da transmissão ou a entrada de novas cargas pode alterar esse cenário. Para investidores e planejadores, essa leitura é fundamental para estimar riscos e definir estratégias de mitigação.


Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela da Ferramenta de Análise de Curtailment da Plataforma ePowerBay

Transmissão, consumo e coordenação sistêmica


O alerta da IEA também evidencia que o problema dos gargalos não pode ser resolvido apenas com mais linhas de transmissão. É necessária uma visão integrada que considere:

  • onde a geração está crescendo;

  • como o consumo evolui regionalmente;

  • quais grandes cargas podem absorver excedentes locais;

  • como a rede pode ser utilizada de forma mais eficiente.


O Dashboard de Consumo de Energia Elétrica no SIN da ePowerBay ajuda a analisar como a demanda se distribui entre subsistemas e ao longo do tempo, permitindo avaliar se novas cargas podem reduzir desequilíbrios regionais ou se tendem a competir pela mesma infraestrutura limitada.


Captura de Tela do Dashboard de Consumo de Energia Elétrica da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Dashboard de Consumo de Energia Elétrica da Plataforma ePowerBay

Já o Mapa Interativo da ePowerBay oferece uma visão territorial integrada entre geração, transmissão e consumo, essencial para antecipar gargalos e orientar decisões de investimento.


Captura de Tela do Mapa da Plataforma ePowerBay
Captura de Tela do Mapa da Plataforma ePowerBay

Implicações para o mercado e para os investimentos


Em um cenário de maior curtailment e restrições de rede, a competitividade dos projetos

renováveis passa a depender não apenas do custo de geração, mas também da localização, do acesso à infraestrutura e do risco operativo. Contratos de energia, especialmente no mercado livre, precisam considerar essas variáveis para evitar exposições excessivas.


Além disso, gargalos persistentes podem atrasar a entrada de novos projetos, elevar custos sistêmicos e reduzir a eficiência da transição energética, mesmo em países com grande potencial renovável.


Infraestrutura como condição para a transição energética


O relatório da IEA deixa claro que a transição energética global entra em uma nova fase. A expansão da geração limpa, por si só, não garante eficiência nem segurança energética. A rede elétrica passa a ser tão estratégica quanto as usinas.


No Brasil e no mundo, acelerar investimentos em transmissão, aprimorar o planejamento integrado e utilizar dados de forma inteligente serão fatores decisivos para destravar o potencial renovável já instalado.


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