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Curtailment em dezembro de 2025: 1,9 milhão de MWh de perdas e novas oportunidades de recuperação de receita para geradores

  • Foto do escritor: Fernando Witzel
    Fernando Witzel
  • há 22 minutos
  • 3 min de leitura

O curtailment — ou corte de geração — tem se consolidado como um dos temas mais relevantes para o setor elétrico brasileiro, especialmente para empreendimentos de geração eólica e solar. Em dezembro de 2025, a ePowerBay publicou um estudo exclusivo que analisa os impactos dessas restrições, com destaque para a revisão metodológica adotada pelo ONS e seus reflexos sobre a apuração da geração frustrada.


O que é curtailment e por que ele importa?


Curtailment ocorre quando a geração de energia é temporariamente limitada por restrições operacionais do sistema elétrico. Essas restrições podem ter diferentes origens, como:


  • Razões energéticas (ENE): falta de carga para absorver a geração;

  • Razões de confiabilidade (CNF): necessidade de preservar a segurança do sistema;

  • Razões externas (REL): indisponibilidades em linhas de transmissão, subestações ou outros ativos da rede.


Embora seja uma prática necessária para garantir a confiabilidade do SIN, o curtailment gera perdas econômicas relevantes para os geradores, especialmente quando não há ressarcimento integral.


Mudança na metodologia do ONS: o que mudou na prática


A partir de agosto de 2025, o ONS revisou a metodologia de cálculo da Geração de Referência Final, utilizada para apuração dos cortes. A principal mudança está na forma como são tratados os casos em que a geração verificada se distancia mais de 5% ou 5 MW da geração limitada.


Na metodologia anterior, esses casos não eram considerados como corte.Na nova versão, passam a ser reconhecidos como curtailment, o que aumenta significativamente o volume de geração frustrada apurada — e, consequentemente, o potencial de ressarcimento para os agentes.


Essa alteração representa um avanço importante para o setor, ao tornar a metodologia mais aderente à realidade operacional das usinas.


Os números do curtailment no Brasil


Os dados analisados no estudo mostram a dimensão do problema:

  • 45,8 milhões de MWh de geração frustrada acumulada entre 2021 e dezembro de 2025;

  • Somente em 2025, as perdas chegaram a 32,9 milhões de MWh, um aumento de 221% em relação a 2024;

  • As restrições energéticas (ENE) já representam 48% das perdas acumuladas e 54% das perdas em 2025.


Apesar de dezembro de 2025 ter apresentado uma redução de 38% em relação a novembro, os volumes ainda permanecem elevados e estruturais.


Onde estão os maiores impactos


O estudo também revela uma forte concentração geográfica e estrutural dos cortes:


  • Estados mais impactados: Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Pernambuco;

  • Subestações mais restritas: Açu III, João Câmara III e Monte Verde;

  • Proprietários mais afetados: grandes grupos do setor, todos com perdas superiores a 2 milhões de MWh;

  • Conjuntos críticos: alguns empreendimentos chegaram a registrar perdas superiores a 50% da geração mensal.


Esses dados reforçam a importância de análises detalhadas por ativo, conjunto e ponto de conexão.


Oportunidades de recuperação de receita


Um ponto de destaque do estudo é a Consulta Pública nº 210/2025, que abre a possibilidade de reenvio de dados técnicos pelos geradores, ampliando o potencial de reclassificação dos cortes e recuperação de receita.


Em análises conservadoras apresentadas no relatório, há casos em que o impacto financeiro ultrapassa R$ 10 milhões, considerando apenas ajustes de dados e indisponibilidades.


Como a ePowerBay apoia os agentes nesse processo



A ePowerBay combina inteligência de mercado, dados históricos e metodologia própria para apoiar agentes na análise de curtailment, incluindo:


  • Cálculo detalhado da geração frustrada;

  • Avaliação de impactos por razão de restrição;

  • Análises por subestação, estado, conjunto e proprietário;

  • Acesso a dashboards interativos no Portal;

  • Novo serviço de API de Curtailment, com dados a cada 30 minutos, pronto para integração com sistemas dos clientes.


Conclusão


O curtailment deixou de ser um evento pontual e passou a ser um fator estrutural do setor elétrico brasileiro. Entender a metodologia, acompanhar os dados e identificar oportunidades de ressarcimento são passos essenciais para proteger a rentabilidade dos projetos.


A ePowerBay segue comprometida em transformar dados complexos em insights estratégicos, apoiando decisões mais seguras e fundamentadas para o mercado de energia.


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