Mercado Livre de Energia em março/26: varejo avança, prospecção ganha escala e dados via API exigem atenção
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O Mercado Livre de Energia segue em expansão, mas os dados de março/26 mostram que a leitura do mercado precisa ir além dos rankings tradicionais. O avanço do varejo, a ampliação da base de consumidores em média tensão e a ausência das migrações via API nas divulgações públicas da CCEE reforçam um ponto central: inteligência de mercado será cada vez mais decisiva para comercializadoras, consultorias e empresas que atuam na prospecção de novos consumidores.
O relatório de março/26 da ePowerBay tem como objetivo apresentar as comercializadoras varejistas e atacadistas, além dos consumidores livres e especiais que mais negociaram energia no mês de referência, com base nos dados públicos de contabilização da CCEE.
Varejo: crescimento continua, mas a base pública não mostra todo o mercado

Em março/26, o levantamento aponta a existência de 38.635 unidades consumidoras com perfil varejista. Nos últimos 12 meses, foram 7.630 novas UCs, sendo 21 no último mês.
No recorte das comercializadoras varejistas, o relatório identifica 124 empresas, responsáveis por negociar 2.581 MWm para 38.431 unidades consumidoras, com consumo médio de 0,067 MWm por UC.
A liderança do ranking varejista ficou com a CEMIG, que negociou 218,9 MWm para 2.752 unidades consumidoras, com consumo médio de 0,079 MWm. A carteira da companhia está concentrada principalmente em Minas Gerais, que representa 56,61% das UCs, seguida por Rio Grande do Sul, com 14,32%, e São Paulo, com 7,05%.
Um ponto importante é que a CCEE ainda não divulga, nos dados disponibilizados ao mercado, as UCs que migraram via API. Isso significa que os rankings públicos não contemplam integralmente o universo de consumidores varejistas. Segundo o relatório, somente no 1º semestre de 2026 são esperadas mais de 9.200 migrações, sendo 3.564 via API. Em janeiro foram 1.709 migrações nesse modelo, em fevereiro 704 e em março mais 332.
Prospecção: mercado potencial ainda é expressivo
A prospecção de consumidores segue como uma das frentes mais estratégicas para o Mercado Livre. A base de dados das distribuidoras indica a existência de cerca de 240 mil consumidores conectados em média tensão, enquanto a CCEE informa que aproximadamente 80 mil consumidores já haviam migrado para o Mercado Livre até 2025.
Esse intervalo entre consumidores elegíveis, consumidores já migrados e potenciais novas migrações reforça a importância de ferramentas de segmentação, filtros por perfil de consumo, classe, região, demanda e atividade econômica. Para comercializadoras e consultorias, o desafio não é apenas encontrar consumidores aptos, mas priorizar os contatos com maior aderência comercial.
Comercializadoras atacadistas: estabilidade no número de agentes

No segmento atacadista, o relatório aponta 503 agentes comercializadores. Nos últimos 12 meses, houve crescimento de 1,4%, equivalente a 7 novos agentes, embora o último mês tenha registrado redução de 1 agente.
O histórico de compra e venda mostra volumes relevantes: 116,2 GWm em vendas, sendo 77,16% de energia convencional e 22,84% de energia incentivada; e 112 GWm em compras, com 76,47% convencional e 23,53% incentivada.
Esses números indicam um mercado maduro, competitivo e com forte necessidade de acompanhamento contínuo de posições, agentes, balanço de energia e margens de risco.
Consumidores livres e especiais: crescimento mais moderado

O relatório também mostra que o Mercado Livre segue dividido entre consumidores livres e especiais. No ranking de consumo, o mercado apresenta 44,33 GWm no ACR e 29,48 GWm no ACL. Dentro da divisão de consumo, os consumidores livres somam 23 GWm, enquanto os consumidores especiais representam 3,8 GWm.
Em número de agentes, os consumidores livres somam 3.763, com crescimento de 4,5% nos últimos 12 meses, equivalente a 162 novos agentes. Já os consumidores especiais somam 9.546, com retração de 1,6%, ou 158 agentes a menos no período. O relatório observa que, em 2025 e 2026, o crescimento desses mercados foi menor, muito em função do avanço do mercado varejista.
Entre os maiores consumidores livres e especiais, a maior parte está concentrada no submercado Sudeste/Centro-Oeste. Nos consumidores livres, destacam-se Albras, Vale e Arcelormittal. Entre os consumidores especiais, aparecem Assaí, Embasa e COMPESA.
O que esses dados indicam para o mercado?
Os resultados de março/26 apontam três movimentos importantes:
1. O varejo é o principal vetor de expansão.A abertura do mercado tem ampliado a base de consumidores atendidos por comercializadoras varejistas, mas a ausência dos dados via API ainda limita a leitura completa do crescimento.
2. A prospecção precisa ser mais qualificada.Com centenas de milhares de consumidores em média tensão e uma parcela relevante ainda fora do Mercado Livre, a identificação correta de oportunidades passa a ser um diferencial competitivo.
3. O acompanhamento mensal dos rankings se torna essencial.Mudanças no volume negociado, no perfil dos consumidores, na atuação das comercializadoras e na dinâmica entre ACR e ACL ajudam empresas do setor a ajustar estratégias comerciais e operacionais.
Como a ePowerBay apoia essa análise
A plataforma ePowerBay reúne soluções de inteligência de mercado para o Mercado Livre de Energia e para a prospecção de consumidores do mercado cativo. O módulo de Mercado Livre oferece recursos como ranking de consumo, detalhes da CCEE, situação cadastral, balanço de energia, margem de risco e ranking de consumo e venda.
Já a solução de identificação de consumidores para o Mercado Livre permite mapear oportunidades por critérios como grupo tarifário, classe de consumo, CNAE, consumo e demanda, apoiando estratégias comerciais mais precisas.
Em um mercado cada vez mais dinâmico, acompanhar os rankings não é apenas observar quem lidera. É entender onde estão as oportunidades, quais agentes estão ganhando espaço e quais consumidores podem ser priorizados na próxima etapa de crescimento do Mercado Livre.
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