CPFL aposta em leilão de baterias e defende manutenção do parâmetro do CVaR
- há 3 dias
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A CPFL Energia mantém expectativa de que o primeiro leilão de baterias do Brasil ocorra ainda em 2026 e avalia o certame como uma oportunidade estratégica para ampliar a flexibilidade do sistema elétrico. Segundo Vitor Fagali de Souza, vice-presidente de Operações de Mercado da companhia, a empresa já vem estudando projetos de armazenamento desde o ano passado e aguarda a regulamentação final e a publicação da portaria de diretrizes para entender o desenho definitivo do leilão.
O posicionamento da CPFL ocorre em um momento de grande expectativa do setor em torno do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência voltado a sistemas de armazenamento. O certame é visto como um marco para a introdução das baterias em escala no sistema elétrico brasileiro, especialmente diante do crescimento das fontes renováveis variáveis, da maior complexidade da operação e da necessidade de recursos capazes de responder rapidamente às oscilações de geração e demanda.
Além da aposta no leilão de baterias, a companhia também defende a manutenção do atual parâmetro de aversão ao risco, o CVaR, em 15/40. A avaliação da CPFL é que esse parâmetro contribui para preservar reservatórios e evitar decisões operativas que possam elevar riscos ao sistema. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deve definir até o fim de julho o parâmetro que será adotado a partir de 2027.
Leilão de baterias ganha peso na estratégia do setor
A expectativa da CPFL em relação ao leilão de baterias reflete uma mudança estrutural no setor elétrico brasileiro. O armazenamento deixa de ser tratado apenas como uma solução complementar e passa a ser visto como um ativo estratégico para a segurança da operação.
As baterias podem atuar em diferentes frentes. Elas permitem armazenar energia em períodos de maior disponibilidade e entregá-la em momentos de maior necessidade, reduzindo a pressão sobre o sistema nos horários de pico. Também podem contribuir para controle de frequência, estabilidade da rede e melhor aproveitamento da geração renovável.
Esse papel se torna cada vez mais importante em um sistema com forte crescimento da energia solar e eólica. Essas fontes são competitivas e renováveis, mas apresentam variação ao longo do dia e dependem de condições climáticas. Sem mecanismos de flexibilidade, o sistema fica mais exposto a desequilíbrios entre geração e consumo.
A entrada das baterias via leilão de capacidade pode ajudar a resolver parte desse desafio. Diferentemente de um leilão tradicional de energia, o foco está na contratação de potência e disponibilidade, ou seja, na capacidade de resposta do sistema quando a operação exige suporte.
Segundo informações do Canal Energia, o modelo em estudo para o leilão prevê receita fixa por dez anos e despacho centralizado pelo ONS, o que daria previsibilidade financeira aos projetos e permitiria sua integração à operação do sistema.
CPFL se prepara para participar do mercado de armazenamento
A sinalização da CPFL de que vem estudando projetos de baterias desde o ano passado mostra que grandes grupos do setor já se movimentam para disputar espaço nesse novo mercado. O armazenamento pode se tornar uma nova frente de investimento para empresas integradas, com atuação em distribuição, geração, comercialização e serviços energéticos.
Para uma companhia como a CPFL, o leilão de baterias pode abrir oportunidades em diferentes dimensões. No lado sistêmico, os projetos podem contribuir para confiabilidade e flexibilidade da operação. No lado empresarial, podem ampliar o portfólio de ativos e criar novas fontes de receita regulada.
A viabilidade desses projetos, no entanto, dependerá fortemente do desenho regulatório. Questões como duração mínima das baterias, critérios de habilitação, forma de remuneração, penalidades por indisponibilidade, localização dos empreendimentos e papel do ONS no despacho serão decisivas para atrair investidores.
A demora na regulamentação ainda gera incerteza. Embora a CPFL mantenha expectativa de realização do leilão em 2026, o próprio setor reconhece que atrasos na publicação das diretrizes podem empurrar o certame para 2027. Esse risco é relevante porque empresas precisam de tempo para estruturar projetos, negociar equipamentos, avaliar conexão e modelar financiamento.
Nesse contexto, ferramentas de análise de infraestrutura ganham importância. A Fila de Acesso à Rede do ONS disponível na ePowerBay permite acompanhar pedidos de conexão e regiões com maior pressão sobre a rede. Para projetos de baterias, essa leitura é essencial, já que a localização pode determinar o valor sistêmico do ativo.

CVaR 15/40 e a discussão sobre aversão ao risco
Além do leilão de baterias, a CPFL também se posicionou sobre o CVaR, mecanismo usado nos modelos de operação do sistema para incorporar aversão ao risco hidrológico. O parâmetro 15/40 dá peso de 40% aos 15% piores cenários hidrológicos, influenciando decisões de despacho e preservação dos reservatórios.
Na prática, um CVaR mais conservador tende a valorizar a segurança energética, preservando água nos reservatórios e reduzindo o risco de escassez futura. Por outro lado, pode aumentar o acionamento térmico em determinados momentos e elevar custos operacionais. Já uma flexibilização do parâmetro poderia reduzir custos no curto prazo, mas também aumentaria a exposição do sistema a cenários hidrológicos adversos.
A defesa da CPFL pela manutenção do 15/40 está ligada à busca por estabilidade regulatória e previsibilidade na operação. Para agentes do setor, mudanças frequentes em parâmetros de aversão ao risco podem alterar expectativas de despacho, custos e estratégias comerciais.
Esse debate é especialmente importante porque ocorre em um sistema cada vez mais complexo. A operação já não depende apenas da hidrologia, mas também da geração renovável variável, da evolução da carga, da expansão da transmissão e da disponibilidade de recursos flexíveis.
Baterias e CVaR fazem parte da mesma discussão sobre segurança do sistema
Embora pareçam temas distintos, o leilão de baterias e a manutenção do CVaR estão conectados por uma mesma questão: como garantir segurança energética em um sistema com maior variabilidade e incerteza.
O CVaR atua no planejamento da operação, ajudando os modelos a considerar cenários hidrológicos desfavoráveis. Já as baterias atuam como recurso físico de flexibilidade, oferecendo resposta rápida para equilibrar geração e demanda.
Em um sistema com mais renováveis, essas duas dimensões passam a ser complementares. A aversão ao risco define como o sistema deve se comportar diante de incertezas futuras. O armazenamento, por sua vez, amplia as alternativas operacionais disponíveis para lidar com essas incertezas.
Essa complementaridade tende a ganhar importância nos próximos anos. Se o Brasil continuar expandindo a geração solar e eólica em ritmo acelerado, precisará de mais instrumentos para gerenciar rampas de carga, excedentes de geração, restrições de transmissão e momentos de menor disponibilidade renovável.
A Análise de Curtailment da ePowerBay pode apoiar esse tipo de avaliação ao permitir acompanhar eventos de restrição de geração renovável. Em regiões onde há excesso de energia em determinados horários e limitações de escoamento, baterias podem ajudar a reduzir perdas e melhorar o aproveitamento da geração disponível.

Localização dos projetos será determinante
Um dos pontos mais importantes para o sucesso do leilão de baterias será a definição da localização dos projetos. Diferentemente de uma usina convencional, uma bateria pode gerar valor de formas diferentes dependendo de onde está instalada.
Em regiões com excesso de geração renovável, pode armazenar energia que seria desperdiçada. Próxima a centros de carga, pode aliviar picos de demanda e reduzir a necessidade de reforços na rede. Em áreas com restrição de transmissão, pode aumentar a flexibilidade operacional e melhorar a confiabilidade local.
Por isso, a análise territorial e elétrica será decisiva para investidores. O Mapa Interativo do Setor Elétrico da ePowerBay permite visualizar a localização de ativos de geração, linhas de transmissão, subestações e polos de consumo, oferecendo uma leitura espacial integrada para identificar regiões com maior potencial para armazenamento.

A Avaliação de Subestações e Infraestrutura Elétrica da ePowerBay também pode contribuir ao reunir dados sobre subestações da rede básica e da rede de distribuição, linhas de transmissão, capacidades disponíveis, expansões e informações operacionais. Para baterias, entender a infraestrutura próxima é essencial para avaliar conexão, custo e valor sistêmico.

Crescimento da demanda amplia necessidade de flexibilidade
A discussão sobre baterias e CVaR também deve ser observada à luz do crescimento da demanda por energia. O Brasil começa a lidar com novas cargas intensivas, como data centers, inteligência artificial, eletrificação industrial, infraestrutura digital e expansão de segmentos industriais que exigem fornecimento confiável.
Essas cargas não apenas aumentam o consumo total, mas também elevam a necessidade de estabilidade e previsibilidade. Data centers, por exemplo, possuem baixa tolerância a interrupções e demandam energia contínua. Esse perfil pressiona o sistema a contar com recursos capazes de responder rapidamente a variações operacionais.
A partir dessa perspectiva, o leilão de baterias não deve ser visto apenas como uma política de incentivo a uma nova tecnologia. Ele é parte de uma adaptação mais ampla do sistema elétrico a um novo padrão de consumo e geração.
Impactos para investidores e para a regulação
Para investidores, o leilão de baterias pode representar uma nova classe de ativos dentro do setor elétrico brasileiro. Contratos de longo prazo, receita previsível e papel estratégico na operação do sistema tendem a atrair empresas de geração, distribuidoras, comercializadoras, fundos de infraestrutura e fornecedores de tecnologia.
Mas a atratividade dependerá da calibragem do modelo. Se a receita fixa não for suficiente para remunerar os riscos tecnológicos, cambiais e de conexão, os projetos podem perder competitividade. Por outro lado, se o desenho for bem estruturado, o leilão pode criar a primeira base relevante para o mercado de armazenamento em escala no país.
Do ponto de vista regulatório, o desafio será equilibrar custo e benefício. As baterias oferecem flexibilidade, mas ainda possuem custo elevado em comparação com soluções tradicionais. Por isso, será necessário demonstrar que os benefícios sistêmicos justificam a contratação, especialmente em termos de redução de curtailment, postergação de investimentos em rede, melhoria da confiabilidade e apoio à integração renovável.
A manutenção do CVaR também entra nessa lógica de equilíbrio. O setor precisa decidir qual nível de segurança está disposto a contratar e qual custo está associado a essa escolha.
A posição da CPFL indica preferência por uma abordagem mais estável e conservadora, priorizando previsibilidade e preservação dos reservatórios.
Perspectivas para o setor elétrico
A posição da CPFL mostra que o setor elétrico brasileiro está entrando em uma fase em que a segurança do sistema depende de uma combinação mais sofisticada de instrumentos. Leilões de capacidade, baterias, parâmetros de aversão ao risco, expansão da transmissão e gestão da demanda passam a fazer parte de uma mesma agenda.
O primeiro leilão de baterias pode ser um marco para essa nova etapa. Se realizado ainda em 2026, poderá abrir caminho para a consolidação do armazenamento como recurso estratégico no Brasil. Caso fique para 2027, a expectativa do mercado seguirá elevada, mas a postergação pode atrasar investimentos e reduzir a velocidade de adaptação do sistema.
Ao mesmo tempo, a decisão sobre o CVaR será observada com atenção, porque influenciará a operação a partir de 2027 e poderá sinalizar o grau de conservadorismo adotado pelo setor diante das incertezas hidrológicas e operacionais.
Nesse cenário, empresas que conseguirem integrar análise regulatória, infraestrutura, demanda e operação terão vantagem competitiva. Ferramentas como as disponíveis na ePowerBay permitem acompanhar essa transformação com maior profundidade, apoiando decisões estratégicas em um ambiente cada vez mais dinâmico e complexo.
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