Celesc quase dobra lucro no segundo trimestre
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A Celesc encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 296,1 milhões, resultado 99,4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho reforça a melhora dos indicadores financeiros da companhia em um momento marcado por investimentos na infraestrutura elétrica de Santa Catarina, reorganização do portfólio de ativos e fortalecimento da estrutura financeira do grupo.
A receita líquida alcançou aproximadamente R$ 3 bilhões, crescimento de 3,5% na comparação anual. O avanço mais expressivo apareceu no resultado operacional: o Ebitda ajustado chegou a R$ 546,4 milhões, expansão de 23,3%, com margem Ebitda ajustada de 18,2%.
Os números mostram que o lucro cresceu em ritmo muito superior à receita, indicando uma melhora importante na conversão das operações em resultado. Para uma companhia com atuação principalmente em distribuição de energia, esse desempenho precisa ser analisado em conjunto com eficiência operacional, comportamento do mercado consumidor, tarifas, despesas controláveis e investimentos necessários para ampliar e modernizar a rede.
No trimestre, a Celesc realizou R$ 306,4 milhões em investimentos, volume 16,3% inferior ao registrado no 2T25. Mesmo com a redução na comparação anual, a companhia permanece inserida em um dos maiores ciclos de modernização de sua infraestrutura.
Entre 2023 e 2026, mais de R$ 5 bilhões foram direcionados à expansão e modernização do sistema elétrico catarinense, incluindo subestações, redes, automação, transformação de redes rurais e melhorias de qualidade.
Resultado operacional cresce acima da receita
A combinação entre alta de 3,5% da receita líquida e crescimento de 23,3% do Ebitda ajustado é um dos principais destaques do balanço.
O resultado sugere uma expansão relevante da margem operacional da companhia. A margem Ebitda ajustada chegou a 18,2%, mostrando maior capacidade de transformar receita em resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Para distribuidoras, essa relação é especialmente importante porque grande parte das receitas e custos está associada a um ambiente regulado. Tarifas, encargos, compra de energia, perdas, despesas operacionais e investimentos em infraestrutura influenciam diretamente o desempenho.
Por isso, avaliar apenas o crescimento da receita pode esconder mudanças relevantes na eficiência da operação. Uma distribuidora pode aumentar faturamento e ainda assim enfrentar redução de margens caso custos cresçam em ritmo superior.
No caso da Celesc, o trimestre apresenta justamente o movimento contrário: o crescimento operacional superou de forma significativa a expansão da receita.
Lucro avança 99,4%
O lucro líquido de R$ 296,1 milhões representa praticamente o dobro do valor registrado no segundo trimestre de 2025.
A evolução é particularmente relevante quando comparada ao desempenho recente da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a Celesc havia registrado lucro de R$ 250,7 milhões, mostrando que o primeiro semestre manteve geração elevada de resultado.
O resultado também dá continuidade a um período de melhoria financeira observado nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, a Celesc registrou lucro consolidado de R$ 715,8 milhões, crescimento de 28,5% em relação a 2023, acompanhado por Ebitda de R$ 1,567 bilhão. Em 2025, o lucro chegou a cerca de R$ 729,5 milhões.
A sequência mostra uma empresa em uma fase diferente daquela observada em períodos anteriores, com maior capacidade de geração operacional e uma agenda simultânea de investimentos e reorganização societária.
Distribuição permanece no centro da estratégia
A Celesc possui atuação diversificada no setor elétrico, mas sua subsidiária de distribuição continua no centro da operação.
O desempenho da distribuição está diretamente relacionado ao comportamento da carga catarinense, à evolução do número de consumidores, à atividade econômica do estado, à eficiência da rede e às regras tarifárias estabelecidas pela Aneel.
Santa Catarina possui forte presença industrial e uma economia diversificada, criando um mercado consumidor particularmente relevante para a companhia.
Nesse contexto, o dashboard Área de Atuação das Distribuidoras, disponível na ePowerBay, pode apoiar análises territoriais sobre as áreas de concessão e permitir uma leitura mais estruturada da presença das distribuidoras pelo país.

Para a Celesc, essa dimensão territorial é essencial. O desempenho financeiro da companhia está diretamente ligado à capacidade de atender uma rede extensa, com consumidores urbanos, industriais, comerciais e rurais distribuídos por Santa Catarina.
Rede precisa acompanhar crescimento econômico
A melhora dos resultados ocorre simultaneamente a um ciclo expressivo de modernização da infraestrutura.
Entre 2023 e 2026, a companhia informa ter investido mais de R$ 5 bilhões na expansão e modernização do sistema elétrico catarinense. Os recursos estão associados a ampliação de subestações, reforço de redes, automação, modernização tecnológica e melhoria da qualidade do atendimento.
Esse investimento é necessário porque o crescimento da demanda não depende apenas de haver energia disponível no Sistema Interligado Nacional.
A distribuição representa a última etapa física entre o sistema elétrico e o consumidor.
Quando uma região recebe novas indústrias, centros logísticos, empreendimentos imobiliários ou grandes consumidores, a capacidade das subestações, transformadores e circuitos locais pode se tornar um limitador.
A Pesquisa de Subestações da Rede de Distribuição da ePowerBay é particularmente aderente a esse tipo de análise. A solução permite aprofundar a infraestrutura que atende os consumidores e observar os ativos que sustentam o crescimento da carga em diferentes regiões.

Subestações ganham importância na expansão da carga
Subestações são uma das principais peças para aumentar capacidade, confiabilidade e flexibilidade da distribuição.
Quando uma região cresce, simplesmente reforçar alguns quilômetros de rede pode não ser suficiente. Pode ser necessário instalar novos transformadores, ampliar barramentos, construir novas subestações ou redistribuir fluxos entre instalações existentes. Esse processo exige planejamento antecipado.
Uma grande indústria ou empreendimento pode demandar dezenas de megawatts em uma área relativamente pequena. Se a infraestrutura local não estiver preparada, a disponibilidade de energia passa a ser um fator para decisões de localização e expansão empresarial.
Por isso, o acompanhamento das subestações de distribuição é relevante não apenas para concessionárias, mas também para consumidores, investidores e empresas interessadas em avaliar novas regiões de atuação.
No caso da Celesc, a modernização da rede catarinense está diretamente associada à capacidade de sustentar a expansão econômica do estado mantendo indicadores adequados de qualidade.
Investimentos recuam no trimestre, mas ciclo permanece elevado
O Capex de R$ 306,4 milhões no segundo trimestre apresentou redução de 16,3% frente ao mesmo período de 2025.
A comparação trimestral, porém, precisa ser inserida dentro de um horizonte maior.
Investimentos em distribuição não ocorrem de forma linear. Cronogramas de obras, aquisição de equipamentos, licenciamento, execução de subestações e entrega de projetos podem concentrar desembolsos em determinados períodos.
O próprio histórico divulgado pela companhia mostra que o volume estrutural de investimentos permanece elevado.
Em maio, por exemplo, a Celesc informou que apenas na Regional de Mafra o plano 2023-2026 envolvia R$ 84,6 milhões, dos quais aproximadamente R$ 63 milhões já haviam sido executados, com mais 50 obras previstas.
Isso mostra como o investimento consolidado é formado por centenas de intervenções regionais realizadas simultaneamente.
Mapa ajuda a visualizar o impacto dos investimentos
A localização desses investimentos é tão importante quanto o valor total desembolsado.
Obras realizadas em regiões industriais, áreas com crescimento populacional acelerado ou trechos mais vulneráveis da rede podem produzir impactos diferentes sobre qualidade, capacidade e resiliência.
O Mapa Interativo da ePowerBay complementa a análise ao permitir explorar geograficamente diferentes camadas da infraestrutura elétrica.

Para uma distribuidora como a Celesc, esse tipo de visualização permite relacionar subestações, redes e áreas de consumo ao desenvolvimento econômico regional.
A ferramenta também pode apoiar empresas que desejam avaliar onde a infraestrutura existente oferece melhores condições para novas cargas ou onde reforços podem ser necessários.
Tarifa influencia diretamente o desempenho das distribuidoras
O desempenho financeiro de uma concessionária também precisa ser analisado dentro do ciclo tarifário.
As distribuidoras operam sob tarifas homologadas pela Aneel, que buscam equilibrar custos eficientes da prestação do serviço, investimentos necessários, remuneração da concessão e componentes que não são controlados diretamente pela empresa.
No primeiro trimestre de 2026, a Celesc já havia destacado o reajuste tarifário anual do ciclo 2025/2026, com efeito médio de 13,53%, como um dos fatores presentes no período.
Isso não significa que todo reajuste se transforme diretamente em lucro.
A tarifa inclui componentes associados a compra de energia, transmissão, encargos, impostos e custos próprios da distribuição. Parte significativa dos valores arrecadados pela distribuidora é posteriormente destinada a outros agentes da cadeia.
Por isso, interpretar resultados exige olhar para receita, custos e indicadores operacionais em conjunto.
Dívida líquida aumenta para R$ 5,18 bilhões
Outro indicador que merece acompanhamento é a dívida líquida.
Ao final do período considerado no balanço, o indicador alcançou R$ 5,18 bilhões, crescimento de 12,3% em relação ao encerramento de 2025.
O aumento precisa ser analisado no contexto da necessidade de financiamento de investimentos e da estratégia de capital da companhia.
Empresas de infraestrutura normalmente operam com níveis relevantes de endividamento devido ao caráter intensivo em capital do negócio. Construir e modernizar subestações, linhas e redes exige grandes desembolsos antes de os benefícios econômicos serem totalmente capturados.
Nesse cenário, mais importante do que observar isoladamente o crescimento da dívida é acompanhar sua relação com geração de caixa, Ebitda, perfil de vencimentos e custo de financiamento.
A expansão do Ebitda no trimestre ajuda a aumentar a capacidade operacional da empresa para suportar obrigações financeiras, embora a evolução da alavancagem continue sendo um ponto importante para os próximos períodos.
Celesc Distribuição capta R$ 750 milhões
Dentro dessa estratégia financeira, a Celesc Distribuição realizou em 25 de junho de 2026 uma segunda emissão de notas comerciais escriturais, em série única e colocação privada, no montante de R$ 750 milhões.
A captação amplia os recursos disponíveis à subsidiária em um período marcado por investimentos elevados na rede.
Para distribuidoras, acesso ao mercado de capitais é particularmente importante porque boa parte dos projetos possui retorno ao longo de vários anos.
Estruturas de financiamento adequadas permitem compatibilizar o desembolso inicial com a vida útil dos ativos e com o fluxo de remuneração regulatória.
Esse movimento também ajuda a entender por que análise de balanço e análise de infraestrutura precisam caminhar juntas.
O crescimento financeiro da companhia está diretamente ligado à capacidade de financiar e executar uma rede que precisa acompanhar a transformação do mercado consumidor catarinense.
Desinvestimento reorganiza portfólio
Outro movimento relevante foi a conclusão da alienação da participação da Celesc na Dona Francisca Energética S.A. (DFESA).
A operação foi concluída em 20 de julho de 2026, portanto já após o encerramento do segundo trimestre, e integra uma estratégia de reorganização do portfólio de participações da companhia.
A venda mostra que a Celesc também vem revisando a alocação de capital entre seus diferentes negócios.
Desinvestimentos podem liberar recursos, simplificar estruturas societárias e permitir maior concentração em segmentos considerados prioritários.
Nesse caso, a conclusão ocorreu em paralelo a uma agenda intensa de modernização da distribuição e reforço da estrutura financeira.
O movimento deve continuar sendo acompanhado nos próximos resultados para entender seu impacto sobre caixa, dívida, investimentos e composição do portfólio.
Mercado consumidor continua sendo variável-chave
Para os próximos trimestres, a evolução do consumo de energia será um dos indicadores mais importantes para avaliar o desempenho da Celesc.
Santa Catarina possui atividade industrial relevante e forte presença de consumidores comerciais e de serviços, de forma que mudanças na economia estadual podem influenciar diretamente o volume de energia distribuída.
Além disso, o avanço do mercado livre modifica progressivamente a relação comercial entre distribuidoras e consumidores de média e alta tensão.
Mesmo quando um consumidor migra para o Ambiente de Contratação Livre, ele continua utilizando a rede da distribuidora e pagando pelo serviço de distribuição. Isso significa que a abertura do mercado altera a composição das receitas e das responsabilidades comerciais, mas não elimina a importância da infraestrutura local.
Para agentes que desejam acompanhar essas mudanças, soluções da ePowerBay voltadas ao mercado consumidor podem complementar a análise, especialmente quando o objetivo for entender a relação entre crescimento da carga e capacidade de rede.
Eficiência operacional ganha espaço na leitura dos resultados
O crescimento do lucro em quase 100% também reforça a importância da eficiência.
Distribuidoras precisam simultaneamente controlar custos, cumprir metas regulatórias de qualidade, reduzir perdas, modernizar redes e responder a eventos climáticos cada vez mais severos.
Esse equilíbrio é particularmente relevante em Santa Catarina, onde eventos meteorológicos intensos podem gerar danos significativos à infraestrutura.
Investimentos em automação, redes mais resilientes e novas subestações podem elevar custos no curto prazo, mas também reduzir interrupções, acelerar recomposição e melhorar qualidade do atendimento ao longo do tempo.
A Celesc destacou justamente a resiliência e a preparação para eventos climáticos extremos entre os objetivos do ciclo atual de investimentos.
Assim, o desempenho financeiro precisa ser acompanhado junto aos indicadores físicos da rede.
Perspectivas para o setor
O resultado do segundo trimestre coloca a Celesc em posição financeira relevante para continuar seu ciclo de modernização.
O lucro líquido de R$ 296,1 milhões, praticamente o dobro do 2T25, veio acompanhado por crescimento de 23,3% no Ebitda ajustado, que alcançou R$ 546,4 milhões, e margem de 18,2%.
Ao mesmo tempo, a companhia mantém uma agenda extensa de investimentos em distribuição, transformação e automação, em um estado caracterizado por forte atividade industrial e crescimento da demanda em diferentes regiões.
Para analisar esse movimento dentro da ePowerBay, as soluções mais aderentes são a Pesquisa de Subestações da Rede de Distribuição, o Mapa Interativo da plataforma, o dashboard [ANEEL] Área de Atuação das Distribuidoras e, para análises tarifárias mais específicas, o dashboard [ANEEL] Tarifas TUSD e TE.
Essas ferramentas permitem ir além do balanço financeiro e observar a infraestrutura que sustenta a operação da concessionária: onde estão os ativos, quais áreas são atendidas, como a rede está distribuída e quais condições tarifárias moldam o mercado.
O balanço da Celesc mostra que resultado financeiro e expansão da rede estão cada vez mais conectados. Para uma distribuidora, crescer de forma sustentável significa transformar geração de caixa em infraestrutura capaz de atender novos consumidores, melhorar qualidade e preparar o sistema para uma economia cada vez mais eletrificada.
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