Mercado livre supera 100 GW médios em negociações
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O mercado livre de energia brasileiro alcançou uma nova dimensão em junho de 2026. Levantamento da ePowerBay, elaborado a partir de dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mostra que as comercializadoras movimentaram 102,5 GW médios no segmento atacadista, evidenciando o tamanho que a atividade de compra e venda de energia alcançou no país.
Ao todo, 495 agentes participaram das negociações no atacado. No varejo, 124 comercializadoras negociaram aproximadamente 2.292 MW médios para 38.306 unidades consumidoras, mostrando que o crescimento do Ambiente de Contratação Livre ocorre simultaneamente em duas frentes: grandes operações entre agentes e expansão do atendimento a consumidores de menor porte.
Os números também ajudam a mostrar como o mercado livre brasileiro está mudando de perfil.
Durante muitos anos, o ACL esteve concentrado principalmente em grandes indústrias e consumidores eletrointensivos. A abertura promovida a partir de janeiro de 2024 ampliou esse universo para todos os consumidores do Grupo A, aumentando a participação de empresas de menor porte e acelerando o crescimento do modelo varejista.
Agora, com aproximadamente 100 mil consumidores já migrados, o mercado entra em uma etapa em que escala, inteligência comercial, gestão de risco e capacidade de atendimento tornam-se tão importantes quanto o preço da energia.
Mais de 100 GW médios mostram dimensão das negociações
O volume de 102,5 GW médios movimentado no atacado chama atenção porque supera a própria carga média física do Sistema Interligado Nacional.
Isso não significa, porém, que todo esse volume tenha sido consumido.
No mercado de energia, uma mesma quantidade física pode participar de diferentes transações antes de chegar ao consumidor final.
Um gerador pode vender energia para uma comercializadora, que posteriormente revende parte desse contrato para outro agente. Esse segundo participante pode utilizar a posição para atender consumidores, equilibrar sua carteira ou realizar uma nova negociação.
Cada operação é contabilizada comercialmente.
Por isso, o volume movimentado pelas comercializadoras representa a intensidade das transações e não o consumo físico direto do ACL.
Esse comportamento é importante porque revela um mercado mais ativo, no qual os agentes realizam operações para administrar exposição, ajustar contratos e estruturar seus portfólios.
Quanto maior a circulação de energia entre agentes, maior também tende a ser a necessidade de ferramentas capazes de acompanhar participantes, volumes, fontes e mudanças na estrutura competitiva.
Mercado atacadista reúne quase 500 agentes
O levantamento da ePowerBay identificou 495 agentes atuando no atacado em junho.
O número reforça a diversidade do ambiente de comercialização brasileiro.
Nesse segmento estão empresas com estratégias bastante diferentes.
Algumas possuem geração própria e comercializam excedentes. Outras atuam prioritariamente como traders, comprando e vendendo energia. Há ainda grupos verticalizados, gestoras especializadas e empresas que combinam geração, comercialização e atendimento a consumidores.
No período analisado, 75,73% da energia comercializada no atacado foi classificada como convencional, enquanto 24,27% correspondia a energia incentivada.
Nas compras, o mercado movimentou 98,5 GW médios, dos quais 73,13% eram energia convencional e 26,87% incentivada.
Essa composição ajuda a entender como a estrutura do mercado continua mudando após anos de expansão das fontes renováveis e alterações nas regras aplicáveis à energia incentivada.
Número de agentes permanece relativamente estável
Apesar do forte volume negociado, a quantidade de agentes atacadistas apresentou leve redução nos últimos 12 meses.
A queda foi de aproximadamente 0,6%, equivalente a três agentes a menos na comparação anual.
O movimento mostra que crescimento do mercado não significa necessariamente aumento permanente do número de empresas participantes.
O setor pode passar simultaneamente por expansão de volume e consolidação.
Quanto maior a complexidade das operações, maiores também as exigências de capital, garantias, gestão de risco, tecnologia e controle de exposição.
Comercializadoras precisam acompanhar continuamente suas posições, avaliar contrapartes e administrar a diferença entre contratos de compra e venda.
Em períodos de maior volatilidade, estruturas menos capitalizadas podem enfrentar dificuldades.
Por isso, a evolução do número de agentes precisa ser analisada em conjunto com volumes negociados e concentração de mercado.
Varejo já atende mais de 38 mil unidades
Enquanto o atacado apresenta grande volume financeiro e contratual, o varejo mostra onde está ocorrendo uma das transformações mais importantes do ACL.
Em junho, 124 comercializadoras varejistas atendiam 38.306 unidades consumidoras, movimentando aproximadamente 2.292 MW médios.
O número médio por unidade foi de aproximadamente 0,076 MW, ou 76 kW médios.
Esse perfil é muito diferente do consumidor livre tradicional.
Historicamente, o ACL era dominado por grandes unidades industriais com consumo elevado. O varejo permite que consumidores menores participem do mercado sem precisar assumir individualmente todas as obrigações operacionais perante a CCEE.
Nesse modelo, o comercializador varejista representa o consumidor.
Ele administra contratos, contabilização, liquidação e demais processos necessários para participação no ambiente livre.
Isso reduz significativamente a complexidade para empresas de menor porte.
Cemig lidera ranking do varejo
No levantamento referente a junho, a Cemig aparece na liderança do mercado varejista, com 214,2 MW médios comercializados para 2.831 unidades consumidoras.
Mais da metade da carteira da companhia está concentrada em Minas Gerais: 55,46% das unidades atendidas.
O Rio Grande do Sul representa 13,95%, enquanto São Paulo responde por 7,98%.
Na sequência aparecem Matrix, com 172,6 MW médios, Ultragaz, com 134,5 MW médios, e EDP Smart, com 126,5 MW médios.
O ranking mostra que a competição no varejo já envolve empresas com origens bastante distintas.
Grupos tradicionais de energia convivem com comercializadoras independentes e empresas provenientes de outros segmentos.
Essa diversidade deve aumentar à medida que a abertura do mercado avance.
Mercado varejista muda lógica competitiva
Atender milhares de pequenas unidades exige um modelo operacional diferente daquele utilizado no relacionamento com grandes indústrias.
No mercado tradicional, uma comercializadora pode manter equipes especializadas para negociar individualmente contratos de dezenas ou centenas de megawatts.
No varejo, esse modelo deixa de ser economicamente eficiente.
Uma carteira pode reunir milhares de consumidores com volumes individuais muito menores.
Isso exige automação.
Prospecção, análise cadastral, simulação de economia, contratação, faturamento, atendimento e gestão de carteira precisam funcionar em escala.
O mercado passa, portanto, por uma transição semelhante à observada em outros setores que saíram de uma lógica predominantemente corporativa para um modelo de serviços de massa.
Tecnologia e dados passam a ocupar posição central.
Cerca de 100 mil consumidores já migraram
O estudo da ePowerBay aponta que o Ambiente de Contratação Livre já reúne aproximadamente 100 mil consumidores migrados em 2026.
Esse número representa uma expansão expressiva quando comparado ao tamanho histórico do mercado livre.
Ainda assim, existe espaço significativo para crescimento.
Entre aproximadamente 240 mil consumidores conectados em Média Tensão no Brasil, cerca de 100 mil já realizaram a migração.
Isso significa que uma parcela relevante do mercado atualmente elegível ainda permanece no ambiente regulado.
O dado ajuda a mostrar que o potencial do ACL não depende apenas da abertura futura da baixa tensão.
Mesmo dentro do universo já autorizado a migrar existe uma base relevante de consumidores que ainda pode realizar a transição.
Minas Gerais ilustra potencial ainda existente
A área de concessão da Cemig ajuda a visualizar essa oportunidade.
A base possui aproximadamente 20 mil consumidores em Média Tensão, dos quais cerca de 6 mil já migraram para o mercado livre.
Isso significa que milhares de consumidores potencialmente elegíveis ainda permanecem no ambiente regulado somente nessa área.
Esse tipo de informação é particularmente importante para estratégias comerciais.
Não basta saber quantos consumidores existem nacionalmente.
É necessário entender onde estão, quem os atende, qual seu porte, em qual atividade econômica atuam e quais regiões apresentam maior penetração do ACL.
É justamente nesse ponto que inteligência de mercado passa a criar vantagem competitiva.
Prospecção ganha peso no crescimento do ACL
A próxima etapa de competição dependerá cada vez mais da capacidade de identificar consumidores com maior potencial de migração.
Ela permite trabalhar a identificação e priorização de potenciais clientes, ajudando agentes a direcionar suas estratégias comerciais.
Esse tipo de ferramenta ganha importância porque o mercado endereçável é grande demais para depender apenas de prospecção manual.
Com dezenas de milhares de unidades elegíveis ainda no mercado regulado, comercializadoras precisam definir onde concentrar seus esforços.
Região, classe de consumo, distribuidora e perfil do consumidor podem ajudar a construir uma estratégia mais eficiente.
A prospecção baseada em dados reduz o custo de aquisição e aumenta a capacidade de atendimento em escala.
Mercado Livre de Energia permite acompanhar expansão
O dashboard Mercado Livre de Energia da ePowerBay complementa essa leitura ao permitir acompanhar a evolução do ACL.

A ferramenta é especialmente aderente ao momento atual porque permite observar justamente as mudanças que aparecem no levantamento de junho.
Quantidade de agentes, volume movimentado e evolução dos consumidores passam a formar uma visão mais clara da dinâmica do mercado.
Para comercializadoras, essas informações podem ajudar a medir concorrência e identificar tendências.
Para geradores, ajudam a acompanhar quem está aumentando participação no atendimento aos consumidores.
Para empresas interessadas em migrar, oferecem uma leitura mais ampla sobre a transformação do mercado.
Agentes da CCEE ajudam a mapear concorrência
A pesquisa de Agentes da CCEE, também disponível na ePowerBay, adiciona uma camada importante à análise competitiva.
Com centenas de participantes, acompanhar quem atua no mercado é uma tarefa cada vez mais complexa.
Identificar comercializadores, consumidores, geradores e demais agentes permite compreender como o ecossistema está estruturado.
Essa informação ganha importância em um momento de expansão e potencial consolidação.
O crescimento do varejo pode favorecer empresas com maior capacidade tecnológica e financeira, enquanto outros agentes podem optar por especialização regional ou segmentação por perfil de consumidor.
Mapear essas mudanças permite acompanhar não apenas o tamanho do mercado, mas também quem está ocupando cada espaço.
Consumidores livres crescem, enquanto especiais recuam
Outro movimento observado no levantamento está na composição dos consumidores diretamente representados no atacado.
O número de consumidores livres chegou a 3.795 agentes, alta de 3,7% em 12 meses.
Já os consumidores especiais somaram 9.525 agentes, redução de 1,7% no período.
A mudança está relacionada à evolução regulatória do mercado e, principalmente, ao crescimento da representação varejista.
Consumidores menores encontram no varejo uma estrutura mais simples para participar do ACL, reduzindo a necessidade de assumir individualmente todas as obrigações perante a CCEE.
A tendência é que esse processo continue.
Quanto maior a quantidade de pequenas unidades no mercado livre, maior deve ser a participação das estruturas varejistas.
Grandes consumidores continuam relevantes
Apesar da expansão do varejo, os grandes consumidores continuam representando parcela importante do mercado.
Entre os consumidores livres de destaque aparecem empresas como Albras, Vale e ArcelorMittal.
No grupo dos consumidores especiais, o levantamento destaca Assaí, Embasa e Compesa, com forte presença no submercado Sudeste/Centro-Oeste.
Essa composição mostra como o ACL passou a reunir perfis muito diferentes.
De um lado estão indústrias eletrointensivas com consumo de centenas de megawatts.
Do outro, milhares de empresas menores atendidas por comer
cializadores varejistas.
Essa diversidade aumenta a complexidade da comercialização.
Produtos, contratos e estratégias que funcionam para um grande consumidor não necessariamente atendem às necessidades de uma pequena empresa.
Abertura da baixa tensão prepara salto ainda maior
A transformação atual é apenas uma etapa.
O governo já regulamentou o cronograma para abertura dos consumidores de baixa tensão.
A partir do final de 2027, pequenos estabelecimentos comerciais e industriais atendidos em baixa tensão poderão exercer o direito de escolher seu fornecedor. Posteriormente, a abertura alcançará os consumidores residenciais. O próprio MME destaca que o modelo preserva a distribuidora como responsável pela infraestrutura física, enquanto o consumidor passa a escolher quem fornece comercialmente sua energia.
Quando essa mudança ocorrer, o mercado potencial passará de centenas de milhares para dezenas de milhões de unidades.
O desafio será completamente diferente.
Comercializadoras precisarão operar como empresas de varejo em grande escala.
Marca, atendimento, tecnologia, experiência digital, aquisição de clientes e retenção poderão ganhar importância semelhante à gestão do próprio portfólio energético.
Volume negociado aumenta necessidade de gestão de risco
Os 102,5 GW médios movimentados no atacado também evidenciam outra dimensão do mercado: risco.
Toda operação de compra e venda cria exposição entre contrapartes.
Quanto maior o volume, maior a importância de avaliar capacidade financeira, garantias, preço e estrutura dos contratos.
Uma comercializadora pode vender energia para entrega futura e precisar comprá-la posteriormente.
Se os preços mudarem significativamente, a posição pode produzir ganhos ou perdas relevantes.
Da mesma forma, problemas financeiros de uma contraparte podem afetar diferentes participantes que possuam contratos relacionados.
Por isso, crescimento do ACL precisa ser acompanhado por aumento da sofisticação dos controles.
Um mercado maior precisa também ser mais transparente, líquido e seguro.
Regulação precisa acompanhar nova escala
A expansão comercial ocorre simultaneamente a mudanças regulatórias.
O MME abriu em agosto uma nova consulta pública para atualização das regras de comercialização, formação do PLD, liquidação do mercado de curto prazo e outros pontos necessários para adaptação à reforma do setor elétrico.
O objetivo é preparar as estruturas atuais para um mercado muito maior.
Sistemas que funcionam adequadamente para dezenas de milhares de consumidores precisam ser revistos quando o universo potencial passa a envolver milhões.
Contabilização, garantias, representação varejista, troca de fornecedor e tratamento de inadimplência tornam-se temas ainda mais importantes.
A abertura, portanto, não depende apenas de permitir a migração.
É necessário criar infraestrutura de mercado capaz de suportar essa escala.
Consumo ajuda a colocar negociações em perspectiva
Para interpretar corretamente o volume comercializado, é importante compará-lo ao consumo efetivo.
O dashboard [CCEE] Consumo de Energia Elétrica no SIN, disponível na ePowerBay, permite acompanhar a demanda física por eletricidade.

Essa comparação deixa clara a diferença entre energia consumida e energia negociada.
Enquanto a carga representa eletricidade efetivamente demandada pelo sistema, o volume de comercialização representa contratos que podem circular diferentes vezes entre os participantes.
As duas métricas são importantes, mas respondem a perguntas distintas.
Consumo mostra a dimensão física do mercado.
Volume negociado mostra sua atividade comercial e liquidez.
ePowerBay permite acompanhar toda a jornada do mercado
A expansão do ACL exige uma leitura cada vez mais integrada.
O dashboard Mercado Livre de Energia permite acompanhar sua evolução.
A pesquisa Agentes da CCEE ajuda a identificar quem participa desse ecossistema.
A Ferramenta de Prospecção de Consumidores permite localizar e priorizar novas oportunidades comerciais.
E o dashboard [CCEE] Consumo de Energia Elétrica no SIN adiciona a dimensão física da demanda.
Juntas, essas soluções ajudam a transformar um universo de dados dispersos em informações úteis para decisões comerciais e estratégicas.
Em um mercado que já movimenta mais de 100 GW médios e caminha para uma abertura muito mais ampla, essa capacidade de análise tende a ganhar ainda mais valor.
Perspectivas para o setor
Os números de junho mostram um mercado livre que já ultrapassou a fase de expansão inicial.
Com 102,5 GW médios movimentados por 495 agentes atacadistas, o ACL possui uma atividade comercial de grande escala.
No varejo, 124 comercializadoras atendem 38.306 unidades consumidoras e movimentam 2.292 MW médios, mostrando que a transformação também está avançando entre empresas de menor porte.
Ao mesmo tempo, o número de consumidores que já migraram se aproxima de 100 mil, enquanto uma parcela significativa das aproximadamente 240 mil unidades de Média
Tensão continua no mercado regulado.
Isso significa que o mercado ainda possui potencial relevante mesmo antes da abertura da baixa tensão.
Quando milhões de novos consumidores ganharem direito de escolha, a competição deverá entrar em outra escala.
Para acompanhar essa transformação, as soluções da ePowerBay mais diretamente relacionadas são o Mercado Livre de Energia, a Ferramenta de Prospecção de Consumidores, a pesquisa de Agentes da CCEE e o dashboard [CCEE] Consumo de Energia Elétrica no SIN.
O mercado livre brasileiro cresce em volume, número de consumidores e diversidade de participantes. Os mais de 100 GW médios movimentados são um reflexo claro dessa evolução — e também um sinal do tamanho das oportunidades que ainda permanecem pela frente.
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