CVU das térmicas vencedoras do LRCAP chega a R$ 1.433/MWh
- 26 de mar.
- 5 min de leitura
As usinas termelétricas vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) apresentaram Custos Variáveis Unitários (CVU) que podem chegar a R$ 1.433 por MWh, um nível considerado elevado dentro da estrutura de custos do setor elétrico brasileiro. O resultado evidencia o custo associado à manutenção de recursos despacháveis no sistema e reforça o papel estratégico das termelétricas para garantir segurança energética.
Os leilões de reserva de capacidade foram estruturados justamente para contratar usinas capazes de fornecer potência firme ao sistema em momentos críticos — quando outras fontes não conseguem atender plenamente à demanda. Nesse contexto, mesmo empreendimentos com custos operacionais elevados podem ser considerados necessários para garantir a confiabilidade do fornecimento elétrico.
O resultado do leilão evidencia um dos principais desafios do planejamento energético brasileiro: equilibrar a expansão de fontes renováveis de baixo custo com a necessidade de recursos capazes de fornecer energia de forma controlada e previsível.
O que significa o CVU na operação do sistema elétrico
O Custo Variável Unitário (CVU) representa o custo associado à produção de energia de uma usina, considerando despesas diretamente ligadas à geração, como combustível, operação e manutenção variável.
No caso das termelétricas, o combustível — que pode incluir gás natural, óleo combustível, diesel ou biomassa — costuma ser o principal componente desse custo.
Usinas com CVU mais baixo tendem a ser despachadas com maior frequência pelo operador do sistema, enquanto aquelas com custos mais elevados são acionadas apenas em situações específicas, como:
períodos de alta demanda energética;
redução da geração hidrelétrica em períodos de seca;
baixa produção de fontes renováveis intermitentes;
necessidade de estabilidade operacional do sistema.
O Dashboard de Consumo de Energia Elétrica no SIN da ePowerBay permite acompanhar a evolução da demanda elétrica ao longo do dia e entre diferentes regiões do país, evidenciando os momentos em que o sistema precisa de maior disponibilidade de potência.

Essa análise ajuda a compreender por que usinas com custos mais elevados continuam sendo importantes para o equilíbrio do sistema.
O papel das térmicas na segurança energética
Apesar do custo elevado, as usinas termelétricas desempenham um papel fundamental na segurança energética do Brasil.
Diferentemente de fontes renováveis como solar e eólica, cuja produção depende das condições climáticas, as térmicas podem ser acionadas de forma controlada e responder rapidamente às necessidades do sistema.
Essa capacidade de despacho programável permite que essas usinas atuem como uma espécie de seguro energético para o sistema elétrico.
Entre as principais funções das termelétricas estão:
garantir potência firme em momentos de escassez de geração renovável;
complementar a geração hidrelétrica em períodos de baixa hidrologia;
atender picos de consumo energético;
estabilizar o sistema em situações de emergência.
Essas características fazem com que as térmicas continuem desempenhando papel relevante mesmo em uma matriz energética cada vez mais renovável.
Expansão das renováveis e necessidade de flexibilidade
O aumento da participação das fontes renováveis intermitentes no sistema elétrico brasileiro tem alterado a dinâmica de operação do setor.
A energia solar e a eólica apresentam custos de geração relativamente baixos, mas
possuem variabilidade natural ao longo do dia e das estações do ano. Essa característica cria a necessidade de recursos capazes de equilibrar a oferta e a demanda de energia em tempo real.
Nesse contexto, as térmicas acabam funcionando como um mecanismo de flexibilidade para o sistema elétrico.
A Análise de Projetos de Geração da ePowerBay permite mapear a expansão das diferentes fontes de geração no país, oferecendo uma visão integrada sobre o crescimento da capacidade instalada e a diversificação da matriz energética.

Essa leitura ajuda a entender como o aumento da participação renovável impacta a necessidade de recursos despacháveis.
Impactos econômicos do despacho térmico
O despacho de usinas com CVU elevado pode gerar impactos relevantes no custo de operação do sistema elétrico.
Quando essas usinas precisam ser acionadas com maior frequência, o custo marginal de operação tende a aumentar, o que pode influenciar a formação de preços no mercado de
curto prazo.
Além disso, a contratação de capacidade térmica também possui implicações tarifárias, uma vez que parte dos custos associados aos mecanismos de capacidade pode ser repassada aos consumidores.
Esse cenário reforça a importância de mecanismos de planejamento energético capazes de equilibrar eficiência econômica e confiabilidade do sistema.
Infraestrutura de transmissão e despacho eficiente
A eficiência do despacho térmico também depende da capacidade da infraestrutura elétrica de transportar a energia produzida.
Mesmo usinas capazes de fornecer potência ao sistema podem enfrentar limitações operacionais caso não exista infraestrutura adequada de transmissão.
A Análise das Conexões da Rede Básica da ePowerBay permite visualizar subestações, corredores de transmissão e capacidade da rede elétrica, oferecendo uma visão estratégica sobre como diferentes regiões do país estão preparadas para integrar novos empreendimentos de geração.

Essa análise é especialmente importante em um cenário de expansão da matriz elétrica.
Impactos para o Mercado Livre de Energia
O resultado do LRCAP também possui efeitos indiretos sobre o Mercado Livre de Energia.
A presença de usinas com custos variáveis elevados pode influenciar o comportamento dos preços de energia no sistema, afetando estratégias de contratação de consumidores e comercializadores.
Empresas que atuam no Ambiente de Contratação Livre costumam monitorar fatores como:
evolução da capacidade instalada;
perfil de despacho das usinas;
comportamento da demanda energética;
mudanças regulatórias no setor.
A Análise dos Agentes do Mercado Livre da ePowerBay permite acompanhar o posicionamento dos principais participantes do ACL, oferecendo uma visão estratégica sobre a dinâmica competitiva do mercado.

Perspectivas para o futuro da geração térmica
Embora a expansão das fontes renováveis continue sendo um dos principais motores da transformação da matriz energética brasileira, as usinas termelétricas devem continuar desempenhando papel importante no sistema elétrico.
Nos próximos anos, o setor deverá buscar soluções que conciliem segurança energética com redução de emissões e custos operacionais.
Entre as tendências observadas no setor estão:
maior eficiência tecnológica das usinas térmicas;
expansão do uso de gás natural como combustível;
desenvolvimento de soluções de armazenamento de energia;
integração mais sofisticada entre diferentes fontes de geração.
Esses movimentos podem contribuir para reduzir a dependência de recursos térmicos de alto custo no longo prazo.
O que está em jogo
O elevado CVU das térmicas vencedoras do LRCAP evidencia a complexidade do processo de transição energética.
Ao mesmo tempo em que o Brasil avança na expansão de fontes renováveis competitivas e de baixo carbono, o sistema elétrico continua necessitando de recursos capazes de garantir estabilidade operacional.
Encontrar o equilíbrio entre segurança energética, eficiência econômica e sustentabilidade será um dos principais desafios do planejamento energético brasileiro nos próximos anos.
Nesse cenário, ferramentas de inteligência de mercado, como as disponíveis na plataforma ePowerBay, tornam-se essenciais para acompanhar a evolução da geração, da infraestrutura elétrica e da demanda energética, oferecendo suporte analítico para decisões estratégicas no setor elétrico.
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