Nova chamada pública para usina solar flutuante em SP

De acordo com a agência Canal Energia, o governo de São Paulo, através da EMAE - Empresa Metropolitana de Água e Energia, prepara uma nova chamada pública para a construção de uma usina solar na represea Billings, onde está localizada a usina Henry Borden, de 889 MW, na Região Metropolitana de São Paulo.


Pesquisadores do NREL - U.S. Department of Energy’s National Renewable Energy Laboratory (Laboratório Nacional de Energia Renovável dos Estados Unidos) publicaram um artigo no final de agosto sobre o potencial e benefícios de sistemas de geração fotovoltaica flutuantes em reservatórios de hidrelétricas (FPV). O artigo com o título "Hybrid floating solar photovoltaics-hydropower systems: Benefits and global assessment of technical potential" pode ser acessado Clicando Aqui.

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Colocar painéis solares flutuantes em reservatórios de usinas hidrelétricas operacionais possui muitos benefícios técnicos e legais, e os pesquisadores identificaram um potencial global de até 7,6 TW de capacidade instalada com este tipo de tecnologia.


A imagem a seguir é um desenho esquemático de uma usina híbrida deste tipo, em que os painéis solares são instalados no espelho d'água do reservatório de água. A energia produzida pelo sitema FPV pode ser utilizada para suprir a própria usina hidrelétrica e o restante da energia pode ser escoada no sistema de transmissão, ou toda a energia produzida pode ser escoada através de uma subestação híbrida para os dois tipos de plantas.


Usina solar flutuante no reservatório de água de uma hidrelétrica

Módulos fotovoltaicos possuem um parâmetro conhecido como coeficiente de temperatura, que mostra a diminuição da eficiência da célula com o aumento da temperatura. Os equipamentos são testados a 25 ºC e geralmente possuem o coeficiente de -0,5%/ºC, indicando que a cada 1 ºC de eleveção de temperatura, a eficiência do módulo fotovoltaico é diminuído em 0,5%. As regiões do Brasil que possuem o maior potencial para a geração solar são o Nordeste e norte de Minas Gerais, regiões que possuem uma temperatura média elevada e em determinados horários do verão podem chegar perto dos 40 ºC, o que é prejudicial em termos de eficiência de geração fotovoltaica.


Quando os painéis solares são montados em um reservatório de água, naturalmente são resfriados, evitando a diminuição da eficiência de produção de energia. Outro ponto importante é sobre o uso de terrenos para a construção e operação de usinas solares, que tem detalhes legais burocráticos, acarretam custos de obras civis como terraplanagem e podem afetar a biodiversidade com a remoção de árvores e plantas locais da área da usina.


Quase 60% da potência de usinas outorgadas no Brasil são de grandes hidrelétricas (UHEs) e isso mostra o potencial do país para este tipo de tecnologia. A fonte solar fotovoltaica é a que mais cresce no país na geração centralizada e domina completamente a área de geração distribuída.


Usinas Solares Flutuantes no Brasil


Rosana - SP


O Brasil já possui projetos de usinas solares flutuantes em operação e em construção. O primeiro projeto foi construído em São Paulo, no município de Rosana, no reservatório da UHE Rosana de 354 MW. O projeto de P&D possui 50 kW e foi instalado em 2014, sendo uma parte com 25 kW de módulos rígidos e outra parte com 25 kW de módulos flexíveis.


O projeto teve um investimento de R$ 23 milhões para 100 módulos rígidos de 250 W cada e 180 módulos flexíveis de 144 W cada, e foi implementado pela CESP - Companhia Energética de São Paulo em uma área de aproximadamente 500 metros quadrados do reservatório.




Billings - SP


Em fevereiro de 2020, o projeto piloto da EMAE no reservatório Billings entrou em operação junto à usina elevatória de Pedreira, para avaliar a viabilidade de usinas solares flutuantes no local, onde foram investidos R$ 450 mil em um projeto de 100 kW.



A energia gerada alimenta um dos escritórios da EMAE e o projeto foi instaldo em parceria a Sunlution através de uma chamada pública em outubro de 2019. O sucesso deste projeto é fundamental para a abertura da nova chamada pública para a implantação de 80 MW de painéis solares flutuantes na represa Billings.


Sobradinho - BA


A maior usina solar flutuante no Brasil é da CHESF - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco e está localizada no reservatório da UHE Sobradinho de 1.500,3 MW na Bahia. A usina é um projeto P&D+I - Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e é desenvolvido pela CRESP - Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina. A capacidade da usina é de 1 MWp com uma expansão de 1,5 MWp, totalizando 2,5 MWp.



"A produção de energia do sistema solar flutuante ajudará na geração de energia da usina hidrelétrica, proporcionando fonte de energia complementar; otimização da infraestrutura elétrica existente; controle da vazão de água do reservatório, com maior desempenho de produção de energia solar; baixo nível de impacto ambiental; e otimização de custos; entre outros benefícios."


O projeto teve início em fevereiro de 2016 com conclusão para fevereiro de 2021, com um investimento total de R$ 56 milhões e participação das instituições/empresas UFPE, FADE, UNISOL, UFAM, SUNLUTION e WEG.

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