• Fonte: Jornal de Negócios

Quem é a francesa Engie que pode comprar a EDP?


Autor: Antônio Larguesa

O segundo maior grupo energético a nível mundial e o maior produtor independente (não detido pelo Estado) de energia a nível global, com receitas próximas de 66,6 mil milhões de euros em 2016, actuação em cerca de 70 países nos cinco continentes e mais de 150 mil trabalhadores. É assim que se apresenta a francesa Engie, que estará interessada na aquisição da EDP. As acções estão a reagir em forte alta no seguimento deste interesse.

Especializado e organizado em três grandes áreas de negócio – electricidade, gás natural e serviços energéticos –, o grupo é liderado desde 2016 pela francesa Isabelle Kocher (na foto à direita), que entrou no grupo em 2002 e preside a um comité executivo com 12 membros. Nos últimos dois anos, a revista Fortune considerou-a a terceira mulher mais poderosa do mundo na categoria de negócios, apenas atrás de Ana Botín (Santander) e Emma Walmsley (GlaxoSmithKline).

Se avançar a oferta de compra da portuguesa EDP, como noticiado pela BFM – a estação de televisão francesa diz que a operação foi analisada pelo departamento financeiro, mas não houve qualquer decisão –, será esta parisiense de 51 anos a encabeçar as negociações com a eléctrica presidida por António Mexia, que nos últimos tempos até tem sido mais "namorada" pela espanhola Gas Natural Fenosa.

Cotada nas bolsas de Paris e Bruxelas e representado nos principais índices internacionais (CAC 40, BEL 20, DJ Euro Stoxx 50, Euronext 100, FTSE Eurotop 100, MSCI Europe, DJSI World, DJSI Europe e Euronext Vigeo), as actividades da Engie em Portugal estão focadas sobretudo na produção de energia com uma participação de 50% na TrustEnergy – embora também actue noutras áreas associadas aos serviços energéticos (através da Cofely e da Climaespaço) e ao ambiente (Suez).

Com sede em Paço d’Arcos, a TrustEnergy é uma joint-venture entre a Engie e a japonesa Marubeni, que tem como subsidiárias a TrustWind e a TurboGas (a 100%), além da TejoEnergia e a Elecgas, estas duas últimas participadas também pela Endesa Generación. Segundo informação oficial, tem uma capacidade instalada total de cerca de 3.000 MW e afirma-se como o segundo maior operador no sector eléctrico nacional e o quarto no segmento eólico, gerindo "um conjunto diversificado de activos que combina os benefícios das energias renováveis com a competitividade do carvão e a flexibilidade e eficiência do gás natural".

No tabuleiro europeu e aposta no Brasil

Com o anúncio de fusão entre as eléctricas alemãs EON e RWE, a 13 de Março, num negócio total avaliado em 60 mil milhões de euros, parece finalmente ter arrancado a tão falada consolidação do sector eléctrico europeu. No quadro dessa mexida nas peças no tabuleiro energético do Velho Continente, uma das empresas que está com vontade de proceder a aquisições é precisamente a francesa Engie, que, indicou na altura a Reuters, poderá também apresentar uma proposta pela holandesa Eneco.

Fora da Europa, o Brasil tem sido um dos mercados de maior investimento para este grupo que resultou há uma década da fusão entre a Gaz de France e a Suez. Naquele país do outro lado do Atlântico assume-se como a maior geradora privada de energia, detendo centrais eléctricas em cinco regiões, estando a assumir-se também como um actor importante no ramo das renováveis. Em Setembro de 2017, a filial com sede em Florianópolis, Santa Catarina, ficou com as concessões para explorar durante 30 anos duas hidroeléctricas, enquanto no mês seguinte foi autorizada a comprar os direitos de desenvolvimento de um importante complexo eólico de 605 megawatts na Bahia, que até então era detido pela companhia local Renova Energia, controlada pela mineira Cemig.

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