• Afonso Lugo, André Felber, Fernando Witzel

CEARÁ: Análise do seu Potencial Eólico e as Expectativas para o Leilão A-4 2018


O Brasil deu os primeiros passos da indústria eólica com a instalação de uma turbina de 75 kW de potência, rotor de 17 m de diâmetro e torre de 23 m de altura, no arquipélago de Fernando de Noronha, no Pernambuco em uma parceria do instituto de pesquisa dinamarquês Folkecenter com a Companhia Energética de Pernambuco - CELPE . O Segundo parque eólico a ser construído foi em Gouveia, Minas Gerais, com a instalação de 04 turbinas de 250 kW em um projeto experimental da CEMIG chamado Morro do Camelinho, pouco antes da Usina Eólica do Mucuripe, ambos foram resultado do Programa Eldorado que visava difundir a tecnologia eólica no país. O projeto de Mucuripe era de propriedade das empresas CHESF e COELCE e a fornecedora era a empresa alemã Tackle, que posteriormente faliu e, por conta de problemas de manutenção dada a falência da empresa, o parque foi re-licitado.

A partir do final da década de 1990 o estado do Ceará entra no cenário da energia eólica do país com a construção da Eólica de Taíba da empresa alemã Wobben Wind Power no município de São Gonçalo do Amarante, sendo o primeiro produtor independente de energia com 10 aerogeradores de 500 kW de potência cada, 40 m de diâmetro de rotor a 45 m de altura. O projeto, que entrou em operação em dezembro de 1998, foi um desafio por ser a primeira a ser construída em uma região de dunas. Alguns meses depois a empresa inaugurou a Eólica de Prainha em Aquiraz e ganhou a licitação da nova Central Eólica de Mucuripe em Fortaleza. Hoje o estado é responsável por 15,2 % da geração eólica no Brasil.

Atualmente o Ceará possui 74 parques eólicos em operação, somando uma potência total de 1.935 MW espalhados em 16 municípios com 994 aerogeradores de 9 diferentes fornecedores. A indiana Suzlon, que não opera mais no Brasil, é a fabricante que mais possui aerogeradores no estado.

Destes parques em operação, apenas 6 deles estão no interior do estado na região da serra, e os outros 68 estão na região litorânea que possui ventos de alta intensidade, conforme imagem abaixo. Existem ainda 6 novos empreendimentos em construção, 05 contratados no Leilão A-5 de 2011 e 03 contratados no mercado livre mas que estão com proposta de revogação em andamento. A maior parte dos parques eólicos em operação foi contratada pelo PROINFA e nos primeiros leilões de energia, entre 2008 e 2010. A partir de dados do ePowerBay foi gerado um arquivo Google Earth com os projetos eólicos no Ceará, de acordo com a imagem abaixo.

Em termos de infraestrutura o Ceará se destaca com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), em São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Fortaleza. Dentro deste complexo industrial está a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), o único do país, um local onde as indústrias instaladas operam com benefícios tributários cambiais e administrativos. A malha rodoviária possui importantes rodovias como a BR-222 que leva até o Piauí e as rodovias do litoral que foram recentemente modernizadas. Também possui fornecedores de componentes da indústria eólica como fornecedor de aerogerador, torres de aço e concreto, pás, escadas internas e outros subcomponentes do sistema, além de diversas empresas que prestam serviços de interesse específicos.

Na transmissão de energia elétrica, de acordo com a Nota Técnica de Capacidade Remanescente de Escoamento publicada pelo ONS, de 17 pontos de conexão solicitados para o Leilão de Energia Nova A-4 de 2017, 07 possuíam margem para escoar a energia de novos empreendimentos com 2,115GW de capacidade nas linhas de transmissão. Para o Leilão de Energia Nova A-4 de 2018 o estado do Ceará teve 5.261 MW de potência de projetos com DRO (Despacho de Requerimento de Outorga), sendo 3.111 MW de eólica e 2.19 MW de fotovoltaica, representando 10,5% do total do leilão.

Os projetos eólicos ficam localizados na região da serra de Ibiapaba na divisa com o Piauí e em todo o litoral cearense, enquanto que os projetos fotovoltaicos são mais concentrados na chapado do Apodi, próximo à divisa com o Rio Grande do Norte e alguns no interior do estado. Como nos leilões de 2017 o Ceará não teve nenhum projeto vencedor dos certames, espera-se que no próximo leilão o estado venha com mais força, visto que o Estado do Ceará possui vantagens em relação a infraestrutura logística com opções de acesso e fornecedores instalados e possui uma situação de conexão elétrica dos projetos participantes mais favoráveis comparado a outros estados.